As coisas
04:15

As coisas não tem sido fáceis por aqui. Tenho tentado manter a cabeça
erguida, me resistir a certas tentações, pensar positivo. Olhar sempre
pra frente. De certa forma, eu estou indo bem. Mas é difícil continuar
assim quando meu próprio coração fica querendo me passar pra trás.
A saudade sempre vai bater, isso é inevitável. Sempre bate a vontade de
chama-lo para conversar sobre um filme incrível que eu vi ontem ou sobre
a banda que abriu o show de sábado passado (que se sobressaiu em
relação a banda principal). Até eu lembrar que eu não tenho o número
dele, mas ele tem o meu e não se lembra de mim.
Penso que, talvez, essa distância que mantemos sem termos saído do lugar
seja melhor. Algumas coisas machucam sem precisar de muito esforço.
Algumas coisas não vão dar certo. Já passou da hora de perceber que a vida
nunca vai dar o que a gente quer, do jeito que a gente quer. Ela sempre
precisa mudar o roteiro, para o filme ficar mais emocionante.
Mas de qualquer forma, ele não é meu único problema. Na verdade, isso
não chega a ser um problema. Meus problemas começam com E, o nome dele
começa com M. Ele não é mais digno de ser meu problema, digamos.
É que as coisas não param quietas. Que coisas, afinal? Essas coisas que
eu não consigo dar nome. É tudo abstrato, sem forma, sem cor. É tudo flicts. Procurei um significado para as minhas "coisas", mas
infelizmente, o dicionário não gira em torno do meu umbigo.
Minha mente parece um carrinho bate-bate, brigando consigo mesma sobre o
que é certo ou o que é errado. Por causa disso, eu não durmo direito há
dois dias.
Queria conseguir escrever mais sobre meus problemas, mas o problema é
que eu ainda não sei quais são eles. Só sei que ultimamente eu me sinto
bem... Confusa, talvez. Não, acho que não. Eu saberia se eu sentisse
alguma coisa.
Ando querendo desaparecer, mas não para sempre. Querendo viajar para
longe, relaxar um pouco e analisar outros finais para esse filme que nem
gênero tem ainda. Ok, vamos pensar.
Romance? Não, não mais.
Comédia? Não, muito sem graça.
Documentário? Fala sério, quem iria assistir um documentário sobre mim?
Mal posso esperar para escrever o último texto do ano, falando sobre as
dificuldades que enfrentei e como eu me fortaleci. Não posso deixar de
dar meu mérito, afinal, uma boa guerreira reconhece a sua luta. Apesar
de todos os conflitos -externos e internos- tenho certeza que um pedaço
de mim está mais forte agora.
Espero que o final desse filme valha a pena. Não paguei ingresso à toa.
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