"Amor"

Quem nunca se foi

07:39

girodentado:  “-  ”



Leia ouvindo: Cananéia, Iguape e Ilha Comprida - Emicida

Fiquei alguns dias dizendo para mim mesma que eu não tenho nada para te falar. De certa forma, eu realmente não tenho - sempre quando começo a escrever, paro no meio pois sou tomada por uma certa insuficiência vocabular que não se aproxima ao que eu sinto, muito menos ao que eu quero sentir. É estranho assistir sua vida de fora e perceber que esse cenário é distante do que eu vivo. Frequentemente, fecho os olhos e me recordo de um presente-passado com uma cama que a gente compartilhava, com as doloridas caminhadas de domingo, com a delícia do anti-alérgico que me permitia dormir um pouco mais. Com você, do lado. Me sentia infinita.
Mas, acredite ou não, não é disso que eu sinto falta. Não sei se é a falta que eu sinto de verdade ou se é apenas o desacostume de viver a vida liberta. Sei que sempre fui uma pessoa muito livre - comigo mesma e até mesmo com os demônios que me habitam -, entretanto, a liberdade que descobri é nova. Como é estranho não estar presa e não estar doendo. É isso que mais me deixa boquiaberta: nada dói. Se doesse, talvez, seria mais fácil denominar todo esse fluxo de consciência e eu poderia falar: "você me machucou..." mas não. Sua ausência foi a luz branca que me abraçou durante todas as noites penumbradas e saber que você me vigia - e te vigiar - me faz querer te tocar apenas para ter certeza que você ainda existe.
Talvez, se você for embora e a gente se tratar apenas como um marca-páginas bonito, talvez, a gente se esqueça e não é isso que eu quero - quero a memória da diáspora e quero a esperança do futuro enquanto eu não conseguir te encaixar nos dois extremos do meu corpo. Meu corpo chora sempre que pensa em você. Admitir isso assim é fraco e eu cheguei muito longe para restabelecer as ladainhas que tanto ignorei todos esses meses. Mas isso fica de lição: não dá para ignorar o que é verdade. E a verdade é que me enfiei no labor de martelar coisas que inevitavelmente vieram a tona. Eu não quero ter que lidar com isso. Quem sabe a Bárbara do futuro encontre as maneiras de sair desse labirinto bem desenhado e enfrente, de uma forma que eu, hoje, não consigo enfrentar, os conflitos entre o céu e o mar que, inevitavelmente, são meus.
Quantos advérbios, meu Deus!
             A brincadeira da melhor perspectiva

Mas eu tenho muita coisa para te contar e, ao mesmo tempo, não quero desenvolver nada. Não quero colocar as palavras em uma ordem, não quero escrever nada que faça sentido. Eu gostaria de encarar a sua presença no ressinto e poder dançar a noite inteira te olhando e sabendo que você me olha também. Quero poder encontrar o sentido da chuva fora do seu quarto e quero apenas pegar na sua mão e me despedir temporariamente pois uma parte minha quer muito te reencontrar - enquanto a outra, revira os olhos sempre que você aparece.
É como se a calma tivesse encontrado um som . Finalmente posso deitar e ter a beatitude de quem vive e vive plenamente em prol da própria vida. Não busco pois cansei de buscar. Entretanto, é revelada a hora de acordar e percebo que ainda é noite, por volta das três. Muito tarde pra voltar a dormir e muito cedo para me levantar. O meio termo é o som do grilo que esqueceu o cobertor do lado de fora - deitada, propriamente acompanhada de mim, ouvindo aquelas vozes-sonoramente-nulas que ditam e ditam e ditam e eu sequer sei de onde vem isso tudo. Enfim, a paz não é a não existência do caos. A paz é o caos sendo resolvido mecanicamente e da forma mais calorosa possível.
Meus conflitos internos, que viraram cartas de amor, hoje, perseguem toda a pele e todo pêlo que tenho mas finalmente encontrei uma gota de resposta. É incrível ser átona. É perfeitamente belo viver em cima da corda bamba que balança para lá e para cá mas o peso nos meus pés e o peso do mundo são excelentemente paralelos e então: fico.
É saudade. É a combinação perfeita entre saudade (boa) e saudade (ruim). É a mensagem que digitei e não enviei (ou pensei e não digitei (ou nem cheguei a pensar)). É a surpresa que me faz sair pulando da aula de literatura. É o "sei lá" que faz, curiosamente, tudo fazer mais sentido. Encontrei, em mim, veja bem, tudo o que precisava para não me sentir afetada com o mundo em si: é o som. O tic tac. A leitura em voz alta que compõe o ritmo das batidas do meu seio cheio e repleto - quando eu achava que eu não seria mais capaz de amar, penso o contrário. Ao contrário, me aparece a fome e a cena de quem está crescendo como um camaleão ou um polvo que fica se adaptando de ambiente em ambiente mas em casa, descanso. Nunca dei tanto valor aos meus olhos fechados - mas como eu gosto de me abrir pro mundo! Seja bem vindo: apesar das mudanças, continuo a mesma.

"Amor"

A vidente

17:43

Foto com tule sobre o rosto


Leia ouvindo: Te vi - Tagua Tagua 

Há tempos não dou as caras às palavras. Faz dois meses, talvez três - quase três - que as palavras se tornaram meu objeto de estudo, distanciando ainda mais do que já era um refúgio penumbrado, esquecido, apagado. Mas às vezes me lembro de quem sou. E me lembrando de quem sou, acesso diversos botões que ficam inacessíveis na maior parte do tempo, mas que se envermelhidam quando abro o dicionário e me deparo com uma palavra nova na qual nunca ouvi falar. Minha matéria favorita na faculdade é a sintaxe porque a literatura me destrói - de escritor para me tornar miserável já basta eu.

Mas não irei falar de palavras. Estou cansada - realmente cansada, o que talvez seja o principal motivo para me fazer ter preguiça de escrever - desse pleonasmo, dessa metalinguagem constante que por mais prazerosa que seja, é óbvia. Palavras por palavras e a arte pela arte, mas e eu? Falarei, portanto, da dor constante que me assola e que andei escondendo por trás de pilhas e pilhas de teorias da narrativa e redações para corrigir (se em cada nota que eu dou acompanhasse meu mecanismo temporal e remoto, seria diretora daquela escola pois todos sabem que o que vale é a sua rapidez para falar a verdade). Contarei, por fim, do dia que fui em uma vidente em homenagem à minha personagem favorita da literatura, Macabea, responsável por todos os desastres e desencantos que tenho com a língua. 

Fui numa vidente pois estava infeliz. Essa dor já mencionada, que assola o peito e que costura automaticamente as maneiras de viver com essa dor, estava medicinalmente impossível de ser curada e freudianamente explicável mas sem resoluções concretas. O misticismo me pareceu autêntico, me pareceu certo. Não foi sequer físico. A psique, as onomatopeias, as formas de pensar e até mesmo a densidade do ar era a resposta que eu precisava para a dor que assolava o peito - um nome! um nome, um rosto, um endereço (se quiser eu lhe passo mas você precisa me prometer nunca aparecer lá).

Um dia eu escrevi tanto sobre isso que acabei solucionando o problema do trauma. Já não sentia. Não me lembro das cores, veja bem, das cores das casas, do barulho da rua, não me lembro qual era seu nome completo ou qual linha se pega para chegar naquele endereço (mentira. disso eu me lembro bem). Subi em tantos prédios e não consegui ver nada além de serras. Me senti na catapulta da corrente de convecção que não tem exatamente para onde ir, mas continua e continua e continua numa recursividade infinita sem ponto final. Que agonia! Dor é verbo? Doer é verbo, é sabido. Mas será que não existe um jeito de classificar essas coisas que se fingem de estado mas na verdade são parasitas que se disfarçam de lágrima para atacar de madrugada junto com aquele tesão inexplicável e a mensagem que você não deveria ter mandado?

                    - Grécia antiga -   #   - Milch - #antiga #Grécia #Milch

Eu poderia te classificar como algo recorrente e sólido, mas tenho medo que te padrozinar lhe dê mais importância do que você realmente tem. Você sabe que você é você, não sabe? O jeito como eu sinto e como eu vivo tem mudado tanto que eu não sei nem se eu sou eu mesma, espero que isso não lhe ocorra. Passei anos sendo alguém que não reconheço e talvez o que tenha ficado na escada da sua casa seja uma versão minha que não existe mais. E por mais que essa tatuagem nova grita para ser mostrada (olha pra mim, eu preciso ser amada, sou tão pós-moderna-quebradora-de-padrões!), por mais que cada âmago do meu ser pede por sua aclamação e um certo cheiro no ouvido, eu não sei ao certo quem você é também. Isso deveria me angustiar; mas me conforta - quer dizer que nenhum de nós existiu, então. Quer dizer que as noites que acordei com sede nada mais eram que a falta desesperada que eu sentia de mim mesma. Posso, finalmente, acordar

Não é como se essa descoberta fosse a eureka de minha vida - eu sempre soube que tinha algo errado com você quando eu tentava te tocar e minhas mãos atravessavam os seus braços e você parecia não responder. É mais complexo do que a inexistência - se fosse apenas isso, seria mais fácil, mas sabemos que existe muito mais. Algo não existiu, mas algo foi real e foi avassalador a ponto de fazer todo o resto, que era inexistente, passar a existir. Percebe como éramos fantásticos? Demos vida aos mortos. Fizemos nascer flor onde era puro sereno terroso. Um sufixo não nos limitou e tudo passou a existir. Eu só queria que você tivesse me avisado como é perigoso brincar de Deus, visto que eu sou apenas uma alma penada no seu cemitério de passados sem saber exatamente onde fui enterrada. 

Guimarães Rosa diz que narrar é resistir. E eu narro seus passos diariamente como uma forma de impedir que sua face se apague eternamente do meu subconsciente que assimila pequenas coisas à você (posso citá-las, mas posso deixa-las em branco). Já está se apagando. Sei disso porque outro dia, forçosamente, me induzi um pensamento nostálgico e saudoso e não consigo, juro por deus, não consigo lembrar de nada. A cena era nítida. Entretanto, nada mais que a narração me tocou. Eu sei e resisto, enquanto eu peço pra ir embora, enquanto tu pede para ir embora, enquanto todo o resto do universo espera que eu mande o Guimarães Rosa ir se foder para que, assim, a roda da fortuna passe a se movimentar e eu deixe de ser quem eu sempre achei que fui: e hoje eu estou presa demais nos meus corres para me preocupar em ter 16, 17 anos novamente. 

Escrevo mesmo sabendo que semana que vem voltarei naquela vidente por não ter gostado dos resultados e espero que um carro amarelo me bata com força mas, ao invés de matar, transforme a minha vida como Macabea não teve a chance - seria idiota dizer que eu devo uma boa vida à Maca? Seria inútil assumir que agredi minha própria autonomia em prol de uma realidade que não é minha mas que eu queria tão desesperadamente que fosse para que, assim, pelo menos, fosse escrita? Perdão, Maca, não posso te salvar mais. Daqui pra frente sou eu com meus demônios.

"Amor"

Bakunin, me perdoa

14:03




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Leia ouvindo: I Lived - OneRepublic

Cheguei em uma parte do livro em que não consigo ler porque penso demais em você. Aconteceu isso com outra obra, que a autora leva o nome da sua mãe, que leva sua cidade como cenário - que tem o século passado como contexto, assim como a nossa história em outras vidas. Não consigo controlar o filme que passa na minha cabeça de todos os litros de sangue que derramei para me reerguer de uma forma que nunca fui capaz, mas fui obrigada a criar um força uterina para seguir em frente. Um ano depois, sinto que não evolui tanto quanto eu evoluiria há cinco. O crescimento não é linear, eu digo para mim mesma na esperança de não violar o meu seio aberto que ainda está ferido com a sua partida prematura ou tardia demais, não sei. Com a sua expulsão, me vieram outras questões que, um ano depois, ainda não sou capaz de compreender: eu. 

Existem muitas coisas que eu gostaria de estar sentindo mas eu me recuso a te fertilizar numa terra com o adubo de outra pessoa. Não. Existem amores que partem e que semeiam tanto quanto ervas daninhas, mas você floresceu demais e espalhou seu perfume até onde deveria ser inóspito. É lindo mas é dolorido pois, vai ver, quem sabe, eu sou só espinhos. E se for? Continuo espetando meus arredores como se fossem meus inimigos, mas eles só querem fazer parte. Parte de mim,parte da vida. Querem me conhecer, me tocar, seu a gota do meu suor. Não, não vou deixar ninguém entrar até eu não te enxergar em poemas, em filmes. Até eu fechar o olho e não enxergar o oceano de possibilidades que você carrega. Até eu acordar sem ter sonhado com sua traição. Não existe liberdade agora que você me invadiu, não existe escolha agora que eu conheço a vida com você do meu lado. Não existe mais "eu" agora que você me convenceu que sou especial demais para você. Não. 

Me olho no espelho e falo não, não, não eu não quero e eu não vou. Não vou voltar atrás e pedir para você bater cartão na minha vida falando da sua - e a minha? Não vou te mandar mensagem pedindo conselhos, pedindo ajuda ou exigindo esclarecimentos de um futuro que não nos pertenceu - você escolheu vive-lo sem mim. E eu me pergunto se um dia amarei outro alguém, e pior, me pergunto se alguém vai me amar como você. Como sou idiota, é claro que não. O próximo me amará muito melhormente pois eu me amarei ainda mais. De retrocesso em retrocesso e poemas que mando pois o coração é maior que as mãos, me digo que não precisaria ter te conhecido para entender o meu tamanho. Eu sou enorme! Fico assustada quando olho para cima e percebo que, meu deus, onde fui parar? Agora que estou sozinha eu não me sinto solitária - passei a ter a solidão como opção e não como castigo. E ah! Esta é a melhor coisa que eu poderia ter aprendido. 

Sem você, sinto falta de relacionar a arte a alguém que me preencha - sinto falta dos romances verbais e até das lágrimas inevitáveis quando eu chegava em Belo Horizonte. Você me fez odiar minha cidade. Você me fez odiar a minha vida. Você me fez te amar tanto que eu esqueci quantos anos tinha - graças a deus, eu sou anarquista e não me reduzo, não me modifico, mas foi por pouco. Por pouco não me rendi a sua tirania e me tornei fruto de um assalto identitário. Espero que um dia a gente volte a se amar sem o romantismo, pois este mata e me matou algumas vezes - meu sangue é os livros que brotam da terra fertilizada, aquela que não permitirei secar. A vida é uma criança e assim como o dicionário, formarei períodos infinitos até ressignificar a semântica inteira. 


Seja bem vindo, mas revolucione com cuidado pois eu estou mais forte do que nunca e sentindo o dobro, o dobro do dobro e dobro o tempo, se necessário, para estar aqui quando eu entender que, minha filha, você é foda - digo em primeiro pessoa pois a pessoa que está comigo desde sempre, veja bem, sou eu. Seguro o choro, tremo as mãos e grito na estrada pois o silêncio é a pior das doenças, a submissão é a pior das torturas. Ainda bem que você me deixou ir antes que me violasse, o que é bem mais fácil do que olhar para trás e arquitetar uma vida singular. Tola do jeito que era, acharia que sua proteção seria romantismo. E como disse, este mata. Morta, volto e reconstruo o que deixei cair enquanto te amava. Ainda te amo, quero dizer, não como antes e nem pretendo te visualizar no meu próximo livro. Apenas queria te dizer que sonhei com você essa noite e você estava lindo. Lê um poema que chama um novo amor é um presente da Rupi Kaur. 

Apesar das contradições, o que lhe escrevo é muito mais claro do que parece. Sua habilidade escassa de interpretação de texto, sempre muito primitiva, talvez, entenda que minhas palavras sejam uma ameaça. E talvez seja. Quando escrevo, não sou eu que escrevo. É alguém que mora dentro de mim e não tem voz alta o bastante durante o dia a dia - o crédito é todo dela, seja lá quem ela for. Entretanto, sei que você me entende quando falo que te amo mas não te quero perto - você me causa arrepios e todo mundo sabe o que acontece quando o cacto mostra seus espinhos. Hoje, me encontro excluída e retraída, como um tatu bolinha, esperando os golpes da vida para que eles não doam tanto quando chegarem. Me convença de que você não vai me assassinar novamente. Me convença que seu teatro fechou.

Infelizmente, as cicatrizes que você deixou são profundas e refletem a intensidade e o tempo que passamos juntos - tudo era em CAIXA ALTA: EU TE AMO, EU TE ODEIO, EU NÃO TE AGUENTO MAIS E POR FAVOR NÃO VAI EMBORA. Quando era gramaticalmente correto, eu estranhava - uai, o que é isso aqui que está dando tão certo? A calmaria me assusta, mas sei que o saudável é meio chato mesmo. Agora, mal consigo me encarar no espelho e não pensar no que você iria pensar se visse meu rosto tão redondo e meu vício tão aguçado em corrida. Será que alguém um dia vai amar minhas curvas do mesmo jeito que você as cultuava? Será que alguém um dia vai me tocar tão delicadamente igual você fazia? Tantos serás para resolver antes dos trinta... 

Você não me desejou um feliz aniversário e isso me partiu ao meio, mas tentei entender que você sabia que, no fundo, eu prefiro que você fingisse que esqueceu. Dói saber que você me conhece tão bem, mas só é meio egoísta. E enquanto eu organizo meus desastres naturais e tento alinhar minhas opções, espero que saiba que eu ainda penso em você, e o pior, ainda escrevo sobre você. Tenho chorado menos desde que a gente se desmanchou e, sem romantismo, estou muito mais feliz, sim - mas infelizmente, eu ainda sou a maior romântica que eu conheço. Vou te mandar um livro pelo correio, mas é para o seu irmão. Manda notícias. 



"Amor"

Sinto muito, mas não sinto nada

08:34



Leia ouvindo: Hiding Tonight - Alex Turner

Eu acho que escritor, de um modo geral, tem a mania de adiar o fim. Não sei exatamente o porquê, mas se despedir de uma história e matar para sempre as personagens - me incomoda muito esse artigo - é sempre dolorido e mancha o peito com todo um futuro que poderia ter sido, mas não foi. Por isso não culpo J.K Rolling pelas infinitas continuações de Harry Potter. Para mim, ela é exatamente o que todo escritor quer ser: eterno. Não em si, como pessoa ou como autor, mas sim, como criador. Como uma mãe que dá a luz á um filho e que, porra, é difícil pra caralho se despedir de um filho. (Não se engane, eu detesto Harry Potter).

Usando essas analogias, eu até que consigo me perdoar por ter demorado tanto tempo para te deixar ir embora. De certa maneira, você foi essa personagem que eu sempre escrevi e descrevi nos livros e contos que nunca apareceu. E então, apareceu. E o que eu faço agora? Talvez seja por esse motivo que você tenha nunca existido pra mim. Sua companhia sempre foi um sonho, um devaneio, não sei. Você nunca me pareceu real e, hoje, quando olho suas fotos, você me parece apenas um livro que eu li e gostei, mas tive que deixar de lado. Me dói muito escrever essas palavras porque não é fácil pra mim expressar que uma das pessoas que eu mais amei, na realidade, só existiu nas histórias que eu escrevi. Quero muito descobrir onde você estava esse tempo todo que me trazia a sensação de que você nunca estava por perto. E, quando estava, era tudo uma distração que, cedo ou tarde, ia acabar mesmo. Você sempre pareceu bom demais para ser verdade.

E acabou. E, sinceramente, eu fico feliz que tenha acabado. A culpa por admitir que você é só uma personagem é gigante, mas eu não consigo te definir de uma maneira melhor. A verdade é essa, você nunca existiu. Você sempre foi um trailer, uma sinopse, eu não sei. Mas eu sei que você nunca foi real.  E justamente por esse motivo, o tempo costumava passar mais rápido do que o normal quando a gente estava se colidindo, se pertencendo e tendo todos esses sentimentos cósmicos que, sim, foram reais. Eu só não sabia exatamente por quem eu estava sentindo aquilo tudo - não se confunda com outra pessoa, eu sou alheia demais para amar dois alguéns ao mesmo tempo. O que eu quero dizer é que, no fundo, eu amei alguém que, talvez, eu não conheça. Você conhece?



Eu odeio a solidão, mas preciso aceitar ela como parte de mim. Preciso reconhecer que todo mundo precisa um pouco de si e, meu deus, eu preciso desesperadamente de mim mesma. Me parte o coração te enxergar como um simples fator que contribuiu para a continuidade da minha história, mas eu não posso deixar isso prolongar mais do que o necessário. Deixei de acreditar em destino aos 16, quando você apareceu, porque eu aprendi que nada acontece só porque tem que acontecer. A gente se mereceu e se nutriu desse merecimento por muito tempo. Continuo não acreditando em destino, e justamente por esse motivo, eu digo: eu me mereço. E me merecendo eu te digo adeus, por um tempo infinito e indeterminado porque, esse livro, precisa ser escrito sem você.

E quando eu acho que não consigo sentir mais nada, que meu coração virou um puro lago de mágoas e feitiços, eu acabo descobrindo que sou a mesma de quando eu tinha 15 anos e escrevi, então, minha primeira obra. Minha primeira arte. Sobre a primeira pessoa que me fez descobrir que todos são, na verdade, meros personagens - por mais que eu só tenha percebido isso bem posteriormente. E você, meu bem, foi tão especial para fazer minha história ter sentido. Foi um catalisador fundamental nas minhas reações. Mas do mesmo jeito que você entrou, você terá que ir embora do jeitinho que eu não consegui fazer com ninguém até agora. E se quiser voltar, volte quando eu estiver branca, completa e sorridente, quando eu não for mais apenas fragmentos do meu passado que me impedem de escrever algo diferente.

Talvez você não seja igual aos outros justamente porque eu consegui deixar você partir e não deixei essa infantilidade de escolher não lidar com o fim me consumir. E é por isso que meus livros não têm fim. Por isso que meus poemas não têm pontuação. Por isso que, no final, eu não consigo ser amiga de quem "partiu meu coração" - uso aspas porque corações não se partem, se contraem, apenas. Dessa maneira, com essa despedida concreta - por favor, não volte, não agora - eu consigo me inteirar e morrer no meio fio para que, depois de morta, eu possa nascer para o abraço da morte.

Até tu, Brutus?! É com essa expressão que eu me declaro morta para que eu possa, assim, ir em busca da minha verdade. De quem sou. De quem nunca serei. De quem eu não quero ser. Te escrevo para contar o que descobri.


"Amor"

Pedra

09:13



Isso é sobre mim. Sobre minha inconstância frequente e inerente que me deixa feliz de manhã e angustiada de noite. É sobre minha vontade incontrolável de querer sair da sua vida sem dar tchau porque dar tchau é dolorido demais pra mim. É sobre tudo o que eu tive que jogar fora para conseguir reconstruir o que você destruiu, mas que eu até gostei disso. Gostei de entender minhas paredes, reorganizar os quadros e até pintar alguns novos. E tudo é sobre como eu não faço ideia do que fazer.

Eu virei uma pedra. Uma das piores. Daquelas que não servem nem para construir casa, ou esfoliar os pés na areia. Eu sou, literalmente, uma pedra imóvel e estática com a única função de não sentir nada.  Eu até tento mudar e ser uma pessoa diferente. Até tento escrever com palavras e estruturas novas, como se eu fosse muito mais inteligente do que eu, de fato, pareço ser. Mas quando eu penso que, ah, pronto, me tornei uma pessoa forte o bastante para enfrentar a vida, alguma coisa coloca em prova toda minha força. E adivinha? Eu falho.

Não sei lidar com você. Com sua voz, com suas lágrimas, com suas promessas de que a gente vai se reencontrar na paulista e que tudo vai ser diferente. Você, com sua blusa verde militar. Eu, com minha camisa preta listrada - tudo bem, essa parte fui eu que inventei. Eu quero tanto que isso acabe, por Deus, como eu quero ir embora. Mas ao mesmo tempo, sua cama ainda tem meu cheiro, nossas fotos ainda estão na sua escrivaninha e cada carta ainda está guardada na gaveta. Como eu posso ir embora assim? Como eu posso me deixar ser esse fantasma que ficou preso no seu banheiro e que aparece sempre que você fala "eu te amo incondicionalmente" três vezes na frente do espelho?

Muitas vezes eu pensei em apagar cada vestígio seu na minha vida. Seu número. Suas fotos. Suas roupas. Seus textos. Muitas dessas coisas viraram uma contribuição para o buraco da camada de ozônio e aquecimento global. Mas eu não me importo em te queimar. Não me importo em colocar todo nosso passado na fogueira porque fazer isso é muito menos dolorido do que tentar ser madura o bastante pra encarar que o que aconteceu faz parte da minha vida e não é uma coisa que eu consigo destruir. Ao invés disso, eu virei pedra. Deixei as lágrimas secarem e tudo o que restou foi: pedra.



Você, querendo ou não, sempre vai estar ali. Na mensagem do telefone. Nas músicas. Nos quadros, na arte que eu faço o tempo inteiro. E no fundo eu sei que não quero me despedir de você porque, se eu fizer isso, vai ser como se eu estivesse me despedindo de um pedaço de mim. E eu, que nunca te entendi muito bem, te entendo completamente quando você diz que não foi embora por falta de amor. Eu te amo tão profundamente. Cada palavra que eu disse é a verdade mais pura que eu guardo dentro de mim e sempre vou ter o prazer de lembrar dela quando falarem de você. Mas até isso acontecer, eu vou ter que achar um meio termo entre te odiar completamente e não te deixar ir embora.

Talvez eu só precise de um tempo. A gente sabe o quanto esse ano vai ser difícil e que a gente já não se encaixa mais na vida um do outro. Por mais que a gente tente. Por mais que derrame cada vez mais sangue para dar continuidade pra algo que passou da hora de acabar. O problema é encarar isso como realidade. Enquanto a gente está em estado de choque, fazemos de tudo pra fingir que nada aconteceu. Mas aconteceu. E o que a gente faz agora?

Agora, eu vou fazer o que eu já venho fazendo há muito tempo. Deixo o tempo passar, vivo um dia após o outro e me aproveito do benefício da dúvida. Querendo ou não, pra mim, essa é a saída mais saudável, já que meu ascendente em libra esqueceu a certeza no churrasco. E talvez seja a incerteza que me mantenha respirando. É assim que eu tenho sobrevivido e não tem nada de errado em estar errada. Ou em, simplesmente, não estar. Não estar de fato, não estar nada. Não ser. Ou, quem sabe, ser pedra.

Eu não quero resolver nada. Não quero dizer adeus, não quero que você fique, mas também não estou te pedindo para tomar qualquer providência. Desculpe se isso tudo te pareça apenas mais do mesmo, mas pra mim, ser pedra é tão dolorido quanto ser arte. Ou rio. Ou qualquer coisa figurativa que você consiga pensar agora. E, assim como você disse, eu tenho, de fato, um plano de me instalar em cada lugar que eu passo. Deixo um pedaço de mim em cada matéria prima que eu toco. Deve ser por isso que você ainda tem essa cor dourada quando sai ao Sol. E brilha, e reluz e permeia uma energia que, convenhamos, é linda do mesmo jeito.

Eu poderia ficar aqui, durante horas a fio, te escrevendo sobre isso de escolher não ter certeza, mas acho que a tese principal você já entendeu. E se não entendeu, eu deixo aberto para a interpretação que lhe convier, independente do fato de que você é gelo, e eu sou fogo. Oh não, espere. Eu sou pedra. E sendo pedra eu vou terminar esse ano da maneira mais digna possível e, apenas quando eu colocar o meu último ponto final naquela ilegítima folha de papel, eu vou poder desabar no alívio de, que merda, sentir a sua falta.

Leia ouvindo: Too Late To Say Goodbye - Cage The Elephant

"Amor"

Sorte

07:56



Eu estava lavando louça, ouvindo música, quando o shuffle tocou aquela. Aquela que eu sabia que faria parte da trilha sonora da minha vida. Aquela que traduz tão bem tudo que eu estou sentindo, mesmo eu não sabendo bem o que é. Mas eu só sei que foi essa música que fez eu conseguir exemplificar os nós que estão na minha garganta e que nem as palavras que eu inventei sozinha conseguem externar isso.

Já passou da hora de eu repetir pra mim mesma as mesmas palavras que você usou para se despedir. Acabou. Eu não faço mais parte da sua vida. E enfim, o nosso fim chegou. Enfim, o nó desamarrou. E a gente poderá ser mais feliz. E, ao mesmo tempo que eu tento tão fortemente te esquecer, eu quero estampar seu rosto nas paredes da minha memória para não deixar passar em branco toda a nossa história. Tenho oscilado muito entre as extremidades de te apagar e sentir sua falta. O meio termo ainda é utópico. O meio termo ainda é como se você nunca tivesse entrado. Por que raios eu fui abrir meu coração pra você? 

No meio do caminho eu até acreditei que a gente era de verdade. Eu conseguia te tocar, conseguia te sentir, você aqueceu a parte mais fria do meu peito. Mas nessas últimas semanas, as pessoas tem deixado suas máscaras caírem e isso me ajudou a perceber que a gente nunca conhece ninguém por completo. Eu pensei que te conhecia quando analisei cada detalhe do teu corpo e me encontrei nas suas estrias, nas suas falhas no cabelo, na profundeza do seu olhar. Me encontrei até mesmo na sua paixão estranha por futebol e cerveja e achei que isso bastava para acreditar que o amor estava bem diante dos meus olhos. Oh céus, como eu queria estar errada nesse momento.

Eu já sou crescida o bastante para aprender que reciprocidade não é o suficiente para manter um relacionamento. Entendo que não foi por falta de amor que você foi embora. Mas o que eu não entendo é porque você repete tanto que quer me esquecer, mas continua grafando no vento que amor ainda é inerente entre a gente. Eu nem sei mais o que amor significa. Não sei se eu te amo, não sei se um dia amei porque eu realmente não entendo nada. Onde você estava quando dizia que tudo ia passar? Onde você estava quando me fazia cafuné e pedia mais um tempo pra tudo se ajeitar? E, de repente, todo nosso esforço não foi o bastante porque você não dava conta. Desculpa, mas eu não entendo.


Me arrependo tanto em ter associado a sua imagem á essa palavra que, agora, até as músicas tem seu nome. Meu outro ex tem seu nome. Tudo tem seu nome. Como é que você pode estar tão longe e ainda assim se fazer tão presente numa vida que não é mais nossa? Eu sinto tanta raiva e ao mesmo tempo tanta saudade que, se misturar as duas coisas, dá um sentimento que também vai ter seu nome. A minha cidade tem seu nome. A sua cidade tem seu nome. Tudo o que eu queria é não ter deixado você crescer tanto assim dentro de mim. É não ter acreditado em você quando você disse que a gente era infinito. É não ter confiado na sua paz quando, na verdade, havia uma guerra fria dentro de você.

Eu tento não me culpar. Diariamente, eu repito pra mim mesma que eu te amei o bastante pra você saber disso. Mas quando eu pego todos os desenhos que fiz da arquitetura do nosso futuro, é impossível não pensar num lugar onde nada disso aconteceu. Onde foi que eu errei? Na realidade, eu nem me faço essa pergunta mais porque meus erros são muito claros. "Como eu pude ser tão burra? Nunca vou ser o suficiente pra ninguém. Todo mundo sempre vai embora". Chega. Hoje não. Eu sei que tô aqui por mim.

Da mesma maneira que você não faz ideia de como eu estou, eu vou fragmentar você em todas as partes que eu construí pra te fazer inteiro. É dolorido demais te manter nessa estática infinita que nunca tem uma resposta, que sempre espera dois ou mais meses para começar a arrumar a bagunça, como se o tempo fosse te esperar resolver sua vida. Eu não te julgo e respeito cada passo que você dá pois sei que você tem plena noção do que está fazendo - mesmo estando confuso e cheio de demônios etc e tal. A única finalidade desse texto é, na verdade, externar e eternizar a minha saída do seu peito. Da sua cama, da sua sala, do Terminal Rodoviário do Tietê.  

Da próxima vez que eu voltar, será pra ficar. Mas não com você. Não dessa vez. 

Leia ouvindo: Sorte - Ana Muller 

"Amor"

Há um ano

09:20



Ei. Hoje a gente faria um ano. Tentei me convencer e repetir pra mim mesma que eu não tenho nada pra te falar. Que eu tô bem. Que eu vou ficar bem. E, de fato, tudo o que eu falar aqui já foi dito em algum poema ou algum texto que eu te escrevi nos últimos dias. Sinceramente, não quero que você os leia. Não quero que você pense em mim como eu estou pensando em você. Na verdade eu quero, mas não dessa forma. Não dessa forma distorcida e suja que acabou manchando todo o nosso resto de história - que você faz certo em tentar apagar. Mas eu não consigo esquecer apenas um pedaço seu. Eu fico esperando, o dia inteiro, receber uma mensagem sua que diga qualquer coisa. Fico imaginando o que eu estarei fazendo no momento em que você voltar. Se você vai voltar. Fico idealizando o nosso futuro daqui pra frente e todas as outras coisas que eu preciso organizar antes de pensar em "nós", propriamente dito.

Eu ainda não consegui escrever uma história na qual você não faça parte e estou meio receosa em fazer isso mas, afinal, essa é apenas a segunda semana. E, não sei se é mérito meu ou apenas consequência do tempo, mas eu estou relativamente excelente para quem terminou um namoro de 1 ano há uma semana. Já consigo beijar outras pessoas, consigo não pensar em você durante vários momentos do dia, consigo falar seu nome sem chorar e até brinco com minhas amigas, chamando-as de "tchuchu". A vida segue e tem seguido muito bem por aqui. Algumas vezes as lembranças chegam, balançam o que estava instável e deixa ali, plantado, um certo medo. Medo esse que, eu descobri, é 100% inútil. Tão inútil que eu escolho não dar a ele o poder de me bagunçar. Não tenho controle do futuro, entende?. Independente do medo que eu sentir, as coisas vão acontecer, mesmo que eu não queira. Do jeitinho que eu não quero. Então, pra que sentir medo? Controlar as emoções tem sido algo crucial que eu aprendi bastante nesses dias. Além de conseguir dar um "basta" em tudo que não me deixava ser feliz, finalmente conversei com meu coração e disse a ele que é tudo uma questão de virar a chave. Viu?

Um texto sobre você sempre acaba virando um texto sobre mim. Talvez eu queira te convencer de que eu já estou pronta pra você voltar. Talvez eu só queira ter certeza  de que você ainda se importa comigo. É inevitável me perguntar se você ainda pensa em mim, mesmo eu sabendo que sim. Mesmo sabendo que você ouve meu sotaque todos os dias e que isso te quebra. Mesmo sabendo que distância não significa falta de amor - e a gente bem sabe disso. É muito coisa que eu preciso entender e enfrentar e, a única coisa que eu sei, é que eu não sei de nada. Vivi a vida em busca de sinais porque sempre me pareceu assustador demais não saber o futuro. Sempre li a ultima pagina dos livros - aí está um fato que você não sabia sobre mim. Sempre pedi pra contarem a continuação de tal filme para que eu não ficasse aflita durante a cena de luta. Mas com quem eu converso pra me contar o que será de nós daqui 2 meses? Qual livro eu devo ler pra saber o final dessa historia?

Desde que tu foi embora as coisas ficaram um pouco mais claras na minha vida. A bagunça se instalou, mas agora eu sei o que arrumar. Por onde começar. Minha relação com o futuro, com Deus e com tudo que é abstrato sempre foi muito complicada - talvez, nem a minha relação com a arte seja de toda tão harmoniosa. Não consigo confiar nas incertezas. Minha desconfiança sempre partiu de dentro e eu acabei colocando tudo isso em você. Só não te peço desculpas porque a culpa não é minha. Eu fiz o que eu dei conta, sempre fiz o que estava a meu alcance. Mas eu te agradeço imensamente por ter sido a menor distância entre mim e eu mesma. Eu ainda trabalho profundamente para diluir os sinais no meu cotidiano - ou tudo o que parece um sinal - já que a vida é uma montanha-russa sem cinto de segurança (não sei se isso fez sentido). Afirmar qualquer coisa antes da hora é chegar no final sem, ao menos, ter linha de chegada.


Vivendo um dia após o outro eu vou absorvendo essa dorzinha de dente chata que aparece durante a manhã mas que eu escolho deixar ir embora. Como eu disse, eu só quero que o tempo passe. Essa semana nunca demorou tanto pra passar e eu tenho certeza que passou voando pra você. Você é assim: tão calmo e tranquilo, que corre para pegar o ônibus, sem medo de perde-lo. Eu sei, eu tô começando a entender isso. Aprendi em outros relacionamentos que a melhor maneira de conhecer outra pessoa é ficando longe dela - é mais fácil a teoria do que a prática. E então, de todos os finais alternativos que existem entre nós dois, eu sei que nenhum deles depende de mim. Ou de você. Ou de qualquer memória que faça o jogo virar aos 45 do segundo tempo - o que inclui uma cama de solteiro, um dia de chuva e qualquer hamburgueria da cidade de São Paulo. Mas sim, de uma certeza muito maior que chama-se: vida. Independente do final, eu sei que as coisas vão dar certo e isso tranquiliza muito meu coração leviano e levíssimo. Não sei onde você está, mas espero que tudo o que eu estou sentindo agora chegue até você, de alguma forma. Toda essa força, essa saudade e essa vontade de ir em busca do amor próprio, doa a quem doer. Descobri muito sobre mim. Descobri muito sobre a vida. E quero continuar assim, com ou sem você.

De qualquer maneira, feliz aniversário. Feliz aniversário à nossa tentativa, à nossa luta, ao nosso amor - que é infinito e foi infinito enquanto durou. Espero de coração te reencontrar algum dia na floresta de concreto e aço que eu poderei chamar de "casa" daqui alguns meses. Meu orgulho odeia admitir mas eu sinto a sua falta todos os dias, em todos os olhos azuis que cruzam meu caminho. Esse texto não é sobre sentimentos, mas sobre o "crescer individualmente" que a gente sempre disse e sabia que ia chegar. Mas saiba que para você, minha porta esta sempre aberta, seja para se hospedar, seja apenas para tomar um café. Pode voltar quando quiser, será uma prazer te receber (eu realmente gostei muito de usar essa metáfora da casa).

Te amei infinitamente. Te amei mais do que eu já fui capaz de amar outra pessoa e ainda tenho muito amor guardado aqui pra quando você quiser receber. Só quero terminar dizendo que vida não é tão ruim quanto parece e desejo muito que você aprenda isso da mesma forma que eu aprendi. Por mais que, a priori, a confusão esteja instalada na sua mente e no seu coração, tome seu tempo. Nenhuma borboleta nasce pronta pra voar e eu tenho certeza que seu futuro é o mais próximo possível do céu.

Ainda tenho tantas coisas para escrever sobre tudo isso... Mas como você nunca vai ler esse texto, eu vou só empurrando as palavras pro canto da cama. Empurrando as memórias pra debaixo do tapete. Empurrando a esperança pra dentro da gaveta. Até o dia em que eu acordar e as coisas estiverem ajeitadas, tudo do jeitinho que tem que ser. Abro a cortina, vejo que o dia está cinza e volto para cama. O que acontece a partir daí, é cena de um capítulo que eu ainda não escrevi.

Eu não sei de nada. E sinceramente, eu não quero saber.

Leia ouvindo: Honest - The Neighbourhood

"Amor"

Eu quero que o tempo passe

08:40


Eu só quero deixar o tempo passar. Quero que entre o outono, quero que as provas acabem, quero minha inscrição pro vestibular. Quero crescer, quero rir, chorar, sair, beijar. Esquecer. Será que eu quero, de fato, esquecer? Depois de tanta dor e decepção, criei aquela casca que todo mundo cria aos 17, 18 anos. Aquela que te faz pensar que todo mundo é suspeito. Mas eu nunca fui de me esconder atrás de cascas. Sempre tive esperanças que me fizeram ir até o fim por algo que eu queria muito, mesmo que não tenha valido tanta a pena depois. Ralei os joelhos, quebrei a cara, rasguei meu short. Mas agora é diferente. Agora não depende só da minha esperança e perseverança. Depende de um coração alheio que também quer assistir o tempo passar, mas que precisa fazer isso longe de mim. Não sei. Só quero que o tempo passe. 

Quero voltar a sentir fome, quero voltar a beber, quero voltar a ter amigas. Quero deixar de ter o reflexo de mexer na aliança - que não esta mais entre meus dedos - e de bate-la no metal para causar algum barulho que preenche aquele silêncio que, antes, era ensurdecedor. Essas manias chatas que as pessoas deixam em nossas vidas e vão embora. Essas palavras novas que a gente inventa pra alguém e desaprende logo em seguida. 




Ai ai... Só sei suspirar e respirando eu vou acalmando todo esse oceano que, ocasionalmente, descobri que sou. O ar que entra é amarelo. O ar que sai é azul. Nem todo mundo que arruma a casa espera visita - eu, por exemplo, me aguardo chegar em casa todos os dias. Quero deixar tudo pronto. Cama arrumada, roupa lavada, pia limpa... Mas tudo isso porque quero gostar de onde eu moro. Quero gostar de mim. Quero gostar das paredes arranhadas de poemas que nunca se terminaram. Quero gostar das manchas que as gotas de café deixaram no tapete. Quero gostar do vazio. Sim, quero gostar do vazio. Porque quando você gosta do vazio, você está preenchido de amor próprio.

E com o tempo passando, o relógio tic-tac-eando eu vou percebendo que, de hora em hora, eu não sou mais quem eu era uma hora atrás. Estou mais forte, mais bonita, com cabelos mais cacheados e volumosos e, agora, ate consigo me olhar no espelho sem fechar os olhos. Olhos esses que ja viram tanta coisa. Olhos esses que são inesquecíveis na vida de tantas pessoas. Olhos esses que são a porta de entrada pro meu universo particular tão denso e colorido. E eu quero que o tempo passe não só pra tirar a incerteza do peito - deixo a porta aberta? E se mais alguém entrar? E se o vento bater? -, mas também, para que eu possa me rodear de certezas sobre mim mesma. Sobre minha força, minha beleza, minha clareza, minha verossimilhança estrondosa com o mundo. 

O tempo que passe! Tire as folhas dos galhos, pingue as chuvas no asfalto, crie espinhas no meu rosto. O tempo trabalha tão duro... e de graça! Primeiro comunista da história chama-se: tempo. E ó, quanta ironia os que dizem que tempo é dinheiro. Nunca paguei pela cura da minha alma. O tempo faz isso por solidariedade. Quer dizer, é uma troca: eu lhe dou confiança e ele me devolve paz.

Leia ouvindo: About You - San Cisco 

"Amor"

Quando acaba

13:19




A gente nunca está pronto pro fim. Na verdade, a gente nunca acha que o fim vai, de fato, chegar. É como uma bala perdida que encontra o peito e rasga, rasga tudo. Todas os tecidos, todas as veias. Não gosto de me passar por escritora romancista que odeia a vida e escreve tanto sobre a bile negra que esquece de escrever sobre a divindade da mudança. Eu aprendi muito bem a lidar com o fim. Tive que obter forças que eu não tinha para sobreviver e, quando eu percebi, eu nasci de novo. De repente, o silêncio me parece pertinente. Tão bem adequado que nem a melhor música do Bon Iver parece melhor. Eu, que nunca gostei de quietude, agora, tudo o que eu mais quero é a estática. Imobilidade, só ouvindo o som do meu suspiro. Ai, ai... 

Fico meio sem reação, mas no fim, acaba. No fundo eu sabia, entende? Mentia pra mim mesma, fazia promessas pro universo e achava que estava tudo bem. Era só questão de tempo até o relógio apitar e a assadura fazer cicatriz. Não sarou, na verdade, mas eu fingi que sim. Eu tentei tanto, eu sacrifiquei tanta coisa, subi muros eternos. Não foi o bastante. Aprenda, Bárbara, nós não nascemos pra ser o bastante pra ninguém. "Deveria ter tentado mais dessa vez. Deveria ter ficado calada nesse dia. Se eu tivesse dormindo, nada disso teria acontecido". Não.  Merda. Nem sei escrever mais sobre o que eu mais sinto- dor. No fim a gente percebe que a dor só serve pra te fazer lembrar que você ja sentiu dor pior. 

Cada lágrima que derrama faz sentido quando você para e pensa que tem apenas 18 anos. 17 anos. Quando acaba, você não pode fazer nada além de dizer pra si mesmo que acabou. Não volta. É tudo mais um capítulo daquele livro que fez você passar raiva, mas que fez toda a diferença pro livro fazer sentido. Dói pensar que vou ter que aprender a dormir sozinha de novo. Dói lembrar que nunca mais vou sentir aquele frio na barriga pra pegar um ônibus. Dói olhar pros dedos e ver o branco pálido da minha pele. Dói agora, mas sei que amanhã não vai doer mais. O mundo está cheio de palavras novas e eu estou ansiosa para descobrir o que o futuro preparou pra mim a partir de agora. Dói pensar que poderíamos ter sido muito mais bonitos quanto fomos na teoria, mas o que importa? Acabou. E quando acaba, não há nada mais justo do que respirar o fim e conversar com ele. Dói a voz, dói o cheiro das camisas, dói as marcas na parede. Tudo dói. Eu meio que também não sei bem o que fazer já que pensei nunca mais precisar passar por isso. 



Talvez agora volte toda aquele lereia de conversar com Deus, procurar sinais em placas, colocar máscaras e mais máscaras. Mas pode ser que não. Pode ser que eu cresça muito mais do que cresci em um ano. Pode ser que eu me reencontre no meio disso tudo que eu criei dentro de mim. Esse país das maravilhas que só existe na minha cabeça. Pode ser que nós dois nos reencontremos muito mais maduros, muitos mais prontos do que agora. Com o coração mais aberto, com a cabeça mais crescida. Mas tambem, pode ser que não. 

Talvez eu deva, de fato, ir embora e abrir essas portas que eu fechei. Eu fechei pra mim mesma por acreditar não saber como abrir sozinha. E por mais que eu não goste muito de despedidas, eu acabei por ter que aprender a dizer adeus da pior forma possível - não dizendo. Mas eu vou ficar bem. Hoje é só o primeiro dia do resto da minha vida. Como diria Drummond, Bandeira, Andrade ou qualquer outro poeta modernista da época que eu não me lembro agora: foi infinito enquanto durou. Mas, infelizmente, alguns infinitos são maiores que os outros.

Leia ouvindo: Indestrutível - Pabllo Vittar

"Amor"

Por onde você anda?

14:35


Isso não foi uma pergunta retórica. Eu realmente quero saber como você está. Quero saber o que aconteceu com esse seu cabelo que você nunca mais cortou. Quero ouvir sua voz contando todos os casos que aconteceram nesse tempo em que você esteve ausente. Quero saber dos seus planos pro futuro. Você ainda os tem? E eu nem estava pensando tanto assim em você, sabia? Nem sei, ao certo, o porquê de eu estar atormentando minha mente com isso. Mas sei lá, acho que linhas tênues e flexíveis são difíceis de quebrar, ainda mais quando ficaram tanto tempo amarradas.

 Algumas vezes, a rádio do carro toca uma música que você odeia. Eu aumento o volume. Dei apenas uma estrela para aquele filme da Netflix que você amou. Não consegui terminar de ler o livro que você deixou. Não passei da segunda música do álbum que você indicou. E eu não consegui desviar um dia se quer do seu olhar, que insiste em cruzar com os meus de maneiras tão frias e cruéis. Talvez eu os procure. Talvez eu tenha acostumado a te olhar e pensar em você como um refúgio fixo onde, agora, o forte desabou. E você não está lá. Mas já que não está, porque esses olhares continuam perturbando minha retina como se fossem parte da melanina que preenche os meus olhos castanhos e grossos?

Isso não é sobre você. Isso não é sobre mim, muito menos sobre a gente. Isso é sobre tudo o que eu deixo guardado há tanto tempo, esperando sei lá o que, que vai acontecer com sei la quem em sei lá quando. Mas a verdade é que palavras são muito fáceis de serem escritas quando a dor é que inspira o papel e a caneta. Nunca escrevi sobre seu romance, sobre seu tato, sobre seu sexo. Nunca gostei do jeito que me abraçava porque recuava tão rapidamente que era impossível de criar raiz alguma ali. 

Talvez seja isso que você queria. Me florescer e me deixar murchar, esquecendo de regar-me com a saliva dos beijos molhados que nós nunca trocamos da maneira correta. Isso é sobre as reticências que você deixou na última mensagem que me enviou. Aquela em que você dizia, tão claramente, que não via motivo algum em me manter na sua vida. Concordei plenamente. Sempre fui aquele item de decoração, meio feio, meio cinza, que não combina com seu sofá. E por isso, você esconde atrás da televisão, junto com as outras coisas das mesmas cores, sabores, curvas. E tudo bem, eu entendi. Hoje eu entendo que fui inconsequente demais em me apaixonar pelo coração mais verde da região. Não que não tenha valido a pena. Mas sim, que certas coisas a gente poderia evitar.

Eu poderia escrever mais setecentas linhas sobre você, mas não sobre o seu lado bom. Vou economizar palavras para a próxima vez que eu te encontrar, sentado no fundo do bar, bebendo a cerveja mais barata por lá - ouvi dizer que você começou a gostar. E se eu nunca te encontrar, melhor pra mim. Bom que eu não desgasto minha sanidade com um passado tão esdrúxulo assim.  

Leia ouvindo: Cold Cold Cold - Cage The Elephant

"Amor"

Enigma

15:28



Juro que eu não te entendo. Passei alguns meses tentando por em ordem todas as suas palavras, mas tudo que eu consegui visualizar foi um monte de vírgulas, interrogações, algumas exclamações. Mas sem ponto final algum. Em todas as vezes que nós eventualmente nos separamos, eu sempre acabo me perdendo um pouco mais em relação à você. E eu me perco no meio dos seus pensamentos que eu nunca acessei, interpreto todas as suas atitudes de maneira equivocada. Quanto mais eu te descubro, menos eu sei sobre você.

E isso me intriga. Me intriga pois você é a parte da minha vida que eu nunca vou entender. Você sempre será aquela reticências no final da frase, que eu fico esperando ansiosamente a continuação, seja ela catastrófica que for, mas que tenha um final. Essa incerteza e esse desconhecimento do futuro é uma coisa que desafia as leis do meu coração, mas nem por isso eu deixei de sorrir quando você passava.

Eu ainda penso muito na gente. Penso no que fomos, no que não fomos e no que poderíamos ter sido, mas isso não significa que devemos ler a história toda de novo. Não. Você tem sido apenas um devaneio, daqueles que vem entre uma memória e outra, mas que vai embora em alguns poucos segundos. Você se tornou apenas um enigma, daqueles chatos e impossível que te prendem e te torturam. Quebram sua cabeça, sua lógica e sua sanidade até você encontrar uma maneira desumana de solucionar. Pois bem. Eu nunca te solucionei.

As nossas trocas de olhares entre uma aula e outra são meus enigmas favoritos. Gosto de imaginar no que você tá pensando, ou por qual motivo você estava sorrindo quando olhou pra mim. Além disso, todas as suas desculpas para pegar na minha mão mas, ao mesmo tempo, todas as suas repulsas quando eu me aproximo, foram tema de histórias e poemas que eu escrevi na última folha do caderno de física, aquele que tem o David Bowie na capa.

Eu não ligo de tentar solucionar seus mistérios. Por mais plena que seja minha consciência, eu gosto de ter na minha vida e de todo o bem que suas músicas me fazem. Gosto do som da sua voz, gosto da vibração da sua risada, gosto do seu sorriso. Eu só não gosto da incerteza que você me causa e de olhar nos olhos do meu passado todo dia de manhã. Não gosto de encarar meu erros de uma maneira tão fria e seca, que me faz gaguejar e levantar o tom da voz sempre que perguntam de você.

Eu só peço que você me guarde direitinho, ali, dentro do seu armário de quadrinhos e junto com as outras cartas que eu te escrevi. E por falar nisso, quantas restaram?

Eu também sempre vou te manter na minha caixinha de memórias, como sendo fruto de uma história que nunca consegui escrever. Te guardo com todas as playslists, todos os livros e todas as promessas de dedinho que fizemos, além de todo o resto que me fez te admirar por meses, talvez até alguns anos.
E por mais que eu não goste muito do nosso passado - ou do quase fim que ele acabou tomando -, eu espero que no futuro, eu consiga te decifrar para poder contar toda essa confusão típica de enredo de roteiro de filme de adolescente e poder encaixar todas as preposições possíveis nela.

Leia ouvindo: If you love me, come clean - Flatsound

"Amor"

Enfim o nosso fim chegou

14:31


Admito que já não me sinto mais tão confortável escrevendo sobre você. De alguma maneira, todas as palavras que dançavam no papel perderam o prazer de serem escritas. Serem escritas para você. Mas de certa forma, eu me sinto na obrigação de registrar em algum lugar (e de te deixar ciente disso) sobre o dia em que eu fui embora de você por completo.
Talvez você pense que, pelo simples fato de eu te dedicar um texto significa que eu ainda não me desganchei (verbo que eu mesma criei para definir o que estava acontecendo) completamente de você. Mas não é nada disso. É só uma simples necessidade de marcar no calendário que todo o desespero que eu acumulei por sua causa se transformou em uma paz que me consome dos pés à cabeça atualmente. E também, de compartilhar com todas as outras pessoas que sofreram com esse mesmo sentimento que toda dor tem seu fim, e que hora ou outra tudo vai começar a fazer sentido. Pode demorar um ano (ou dois, no meu caso). Mas sempre vai surgir algo -ou alguém- que vai fazer você perceber o tempo que você perdeu, e vai te ajudar a recupera-lo.
Vamos por partes.
Isso aqui não é mais uma das cartas de despedidas que eu escrevi e assinava com "adeus", porque eu fui embora há muito tempo. Tudo bem que eu sempre afirmei e reafirmei que você não faz parte da minha vida várias vezes, mas que sair da sua foi um exercício expressamente complicado. Entretanto, eu consegui. E quando eu me vi, eu estava confundindo sua voz, sua caligrafia, seus desenhos ou seu próprio rosto quando te encontro na rua (acho que já falei sobre isso por aqui).
Tudo bem, esse tempo que tivemos de não-relacionamento não foi um completo engano, não foi de todo ruim. Acho que aprendemos mais sobre um do outro quando estivemos separados do que quando estávamos propriamente juntos. E consequentemente, eu fui obrigada a me encontrar em uma mesa de bar num sábado a noite, com pessoas vazias e enchendo a cara de mentiras. Opa, pera lá. Não é aí onde eu quero chegar.
De qualquer maneira, a linha cônjuge que mantinha nossos corações selados em uma promessa que nunca foi verbalizada se rompeu, e finalmente agora eu posso te ver e pensar que você é nada mais e nada menos que o fruto de um passado. Um passado tão oblíquo, mas tão cheio de detalhes que poderia se tornar uma obra barroca com facilidade.
Não é indiferença, mas também não é questão. Não é raiva, mas também não é compaixão. Eu simplesmente te consigo enxergar como ser humano agora, já que antes eu te enxergava como Deus. Ò céus, me desculpe por isso... Me desculpe por ter te enxergado tão mais belo, tão mais inteligente, tão mais incrível do que você realmente é.
Eu nunca me senti tão bem em não sentir nada por alguém que foi meu motivo de respirar, mas que ao mesmo tempo, me tirava a vontade de viver. Pois, além de ter conseguido me livrar de uma dor imensa, eu percebi que sou capaz de enfrentar cada pedacinho de dificuldade que aparecer na minha vida. Eu estou calejada agora, e muito obrigada por ter me mostrado a força que eu tenho.
Enfim, o nosso fim chegou e agora sim eu posso sorrir para o universo, pois eu sei que ele sorrirá de volta. E mesmo se não sorrir, não tem problema! Agora eu consigo enxergar o lado bom da vida e agradecer por cada molécula de oxigênio que entra pelas minhas narinas e fazem meu corpo funcionar. Obrigada por ter me ensinado a dar tanto valor para a minha própria existência e que existem pessoas e pessoas nesse mundo.
Espero que tudo dê imensamente certo para você, assim como as coisas têm dado pra mim. E eu te desejo isso de coração, já que agora ele está preenchido o suficiente para não ter que completa-lo com sentimentos tão macabros como o rancor, como o orgulho ou como o ódio. Rogo para que seu coração se encontre na mesma situação de paz que um dia esteve, mas caso não se encontre, tudo bem.
Muita gente se diverte com o que tem.

Leia ouvindo: Escopo - Ana Muller