"Amor"

Quem nunca se foi

07:39

girodentado:  “-  ”



Leia ouvindo: Cananéia, Iguape e Ilha Comprida - Emicida

Fiquei alguns dias dizendo para mim mesma que eu não tenho nada para te falar. De certa forma, eu realmente não tenho - sempre quando começo a escrever, paro no meio pois sou tomada por uma certa insuficiência vocabular que não se aproxima ao que eu sinto, muito menos ao que eu quero sentir. É estranho assistir sua vida de fora e perceber que esse cenário é distante do que eu vivo. Frequentemente, fecho os olhos e me recordo de um presente-passado com uma cama que a gente compartilhava, com as doloridas caminhadas de domingo, com a delícia do anti-alérgico que me permitia dormir um pouco mais. Com você, do lado. Me sentia infinita.
Mas, acredite ou não, não é disso que eu sinto falta. Não sei se é a falta que eu sinto de verdade ou se é apenas o desacostume de viver a vida liberta. Sei que sempre fui uma pessoa muito livre - comigo mesma e até mesmo com os demônios que me habitam -, entretanto, a liberdade que descobri é nova. Como é estranho não estar presa e não estar doendo. É isso que mais me deixa boquiaberta: nada dói. Se doesse, talvez, seria mais fácil denominar todo esse fluxo de consciência e eu poderia falar: "você me machucou..." mas não. Sua ausência foi a luz branca que me abraçou durante todas as noites penumbradas e saber que você me vigia - e te vigiar - me faz querer te tocar apenas para ter certeza que você ainda existe.
Talvez, se você for embora e a gente se tratar apenas como um marca-páginas bonito, talvez, a gente se esqueça e não é isso que eu quero - quero a memória da diáspora e quero a esperança do futuro enquanto eu não conseguir te encaixar nos dois extremos do meu corpo. Meu corpo chora sempre que pensa em você. Admitir isso assim é fraco e eu cheguei muito longe para restabelecer as ladainhas que tanto ignorei todos esses meses. Mas isso fica de lição: não dá para ignorar o que é verdade. E a verdade é que me enfiei no labor de martelar coisas que inevitavelmente vieram a tona. Eu não quero ter que lidar com isso. Quem sabe a Bárbara do futuro encontre as maneiras de sair desse labirinto bem desenhado e enfrente, de uma forma que eu, hoje, não consigo enfrentar, os conflitos entre o céu e o mar que, inevitavelmente, são meus.
Quantos advérbios, meu Deus!
             A brincadeira da melhor perspectiva

Mas eu tenho muita coisa para te contar e, ao mesmo tempo, não quero desenvolver nada. Não quero colocar as palavras em uma ordem, não quero escrever nada que faça sentido. Eu gostaria de encarar a sua presença no ressinto e poder dançar a noite inteira te olhando e sabendo que você me olha também. Quero poder encontrar o sentido da chuva fora do seu quarto e quero apenas pegar na sua mão e me despedir temporariamente pois uma parte minha quer muito te reencontrar - enquanto a outra, revira os olhos sempre que você aparece.
É como se a calma tivesse encontrado um som . Finalmente posso deitar e ter a beatitude de quem vive e vive plenamente em prol da própria vida. Não busco pois cansei de buscar. Entretanto, é revelada a hora de acordar e percebo que ainda é noite, por volta das três. Muito tarde pra voltar a dormir e muito cedo para me levantar. O meio termo é o som do grilo que esqueceu o cobertor do lado de fora - deitada, propriamente acompanhada de mim, ouvindo aquelas vozes-sonoramente-nulas que ditam e ditam e ditam e eu sequer sei de onde vem isso tudo. Enfim, a paz não é a não existência do caos. A paz é o caos sendo resolvido mecanicamente e da forma mais calorosa possível.
Meus conflitos internos, que viraram cartas de amor, hoje, perseguem toda a pele e todo pêlo que tenho mas finalmente encontrei uma gota de resposta. É incrível ser átona. É perfeitamente belo viver em cima da corda bamba que balança para lá e para cá mas o peso nos meus pés e o peso do mundo são excelentemente paralelos e então: fico.
É saudade. É a combinação perfeita entre saudade (boa) e saudade (ruim). É a mensagem que digitei e não enviei (ou pensei e não digitei (ou nem cheguei a pensar)). É a surpresa que me faz sair pulando da aula de literatura. É o "sei lá" que faz, curiosamente, tudo fazer mais sentido. Encontrei, em mim, veja bem, tudo o que precisava para não me sentir afetada com o mundo em si: é o som. O tic tac. A leitura em voz alta que compõe o ritmo das batidas do meu seio cheio e repleto - quando eu achava que eu não seria mais capaz de amar, penso o contrário. Ao contrário, me aparece a fome e a cena de quem está crescendo como um camaleão ou um polvo que fica se adaptando de ambiente em ambiente mas em casa, descanso. Nunca dei tanto valor aos meus olhos fechados - mas como eu gosto de me abrir pro mundo! Seja bem vindo: apesar das mudanças, continuo a mesma.

"Amor"

A vidente

17:43

Foto com tule sobre o rosto


Leia ouvindo: Te vi - Tagua Tagua 

Há tempos não dou as caras às palavras. Faz dois meses, talvez três - quase três - que as palavras se tornaram meu objeto de estudo, distanciando ainda mais do que já era um refúgio penumbrado, esquecido, apagado. Mas às vezes me lembro de quem sou. E me lembrando de quem sou, acesso diversos botões que ficam inacessíveis na maior parte do tempo, mas que se envermelhidam quando abro o dicionário e me deparo com uma palavra nova na qual nunca ouvi falar. Minha matéria favorita na faculdade é a sintaxe porque a literatura me destrói - de escritor para me tornar miserável já basta eu.

Mas não irei falar de palavras. Estou cansada - realmente cansada, o que talvez seja o principal motivo para me fazer ter preguiça de escrever - desse pleonasmo, dessa metalinguagem constante que por mais prazerosa que seja, é óbvia. Palavras por palavras e a arte pela arte, mas e eu? Falarei, portanto, da dor constante que me assola e que andei escondendo por trás de pilhas e pilhas de teorias da narrativa e redações para corrigir (se em cada nota que eu dou acompanhasse meu mecanismo temporal e remoto, seria diretora daquela escola pois todos sabem que o que vale é a sua rapidez para falar a verdade). Contarei, por fim, do dia que fui em uma vidente em homenagem à minha personagem favorita da literatura, Macabea, responsável por todos os desastres e desencantos que tenho com a língua. 

Fui numa vidente pois estava infeliz. Essa dor já mencionada, que assola o peito e que costura automaticamente as maneiras de viver com essa dor, estava medicinalmente impossível de ser curada e freudianamente explicável mas sem resoluções concretas. O misticismo me pareceu autêntico, me pareceu certo. Não foi sequer físico. A psique, as onomatopeias, as formas de pensar e até mesmo a densidade do ar era a resposta que eu precisava para a dor que assolava o peito - um nome! um nome, um rosto, um endereço (se quiser eu lhe passo mas você precisa me prometer nunca aparecer lá).

Um dia eu escrevi tanto sobre isso que acabei solucionando o problema do trauma. Já não sentia. Não me lembro das cores, veja bem, das cores das casas, do barulho da rua, não me lembro qual era seu nome completo ou qual linha se pega para chegar naquele endereço (mentira. disso eu me lembro bem). Subi em tantos prédios e não consegui ver nada além de serras. Me senti na catapulta da corrente de convecção que não tem exatamente para onde ir, mas continua e continua e continua numa recursividade infinita sem ponto final. Que agonia! Dor é verbo? Doer é verbo, é sabido. Mas será que não existe um jeito de classificar essas coisas que se fingem de estado mas na verdade são parasitas que se disfarçam de lágrima para atacar de madrugada junto com aquele tesão inexplicável e a mensagem que você não deveria ter mandado?

                    - Grécia antiga -   #   - Milch - #antiga #Grécia #Milch

Eu poderia te classificar como algo recorrente e sólido, mas tenho medo que te padrozinar lhe dê mais importância do que você realmente tem. Você sabe que você é você, não sabe? O jeito como eu sinto e como eu vivo tem mudado tanto que eu não sei nem se eu sou eu mesma, espero que isso não lhe ocorra. Passei anos sendo alguém que não reconheço e talvez o que tenha ficado na escada da sua casa seja uma versão minha que não existe mais. E por mais que essa tatuagem nova grita para ser mostrada (olha pra mim, eu preciso ser amada, sou tão pós-moderna-quebradora-de-padrões!), por mais que cada âmago do meu ser pede por sua aclamação e um certo cheiro no ouvido, eu não sei ao certo quem você é também. Isso deveria me angustiar; mas me conforta - quer dizer que nenhum de nós existiu, então. Quer dizer que as noites que acordei com sede nada mais eram que a falta desesperada que eu sentia de mim mesma. Posso, finalmente, acordar

Não é como se essa descoberta fosse a eureka de minha vida - eu sempre soube que tinha algo errado com você quando eu tentava te tocar e minhas mãos atravessavam os seus braços e você parecia não responder. É mais complexo do que a inexistência - se fosse apenas isso, seria mais fácil, mas sabemos que existe muito mais. Algo não existiu, mas algo foi real e foi avassalador a ponto de fazer todo o resto, que era inexistente, passar a existir. Percebe como éramos fantásticos? Demos vida aos mortos. Fizemos nascer flor onde era puro sereno terroso. Um sufixo não nos limitou e tudo passou a existir. Eu só queria que você tivesse me avisado como é perigoso brincar de Deus, visto que eu sou apenas uma alma penada no seu cemitério de passados sem saber exatamente onde fui enterrada. 

Guimarães Rosa diz que narrar é resistir. E eu narro seus passos diariamente como uma forma de impedir que sua face se apague eternamente do meu subconsciente que assimila pequenas coisas à você (posso citá-las, mas posso deixa-las em branco). Já está se apagando. Sei disso porque outro dia, forçosamente, me induzi um pensamento nostálgico e saudoso e não consigo, juro por deus, não consigo lembrar de nada. A cena era nítida. Entretanto, nada mais que a narração me tocou. Eu sei e resisto, enquanto eu peço pra ir embora, enquanto tu pede para ir embora, enquanto todo o resto do universo espera que eu mande o Guimarães Rosa ir se foder para que, assim, a roda da fortuna passe a se movimentar e eu deixe de ser quem eu sempre achei que fui: e hoje eu estou presa demais nos meus corres para me preocupar em ter 16, 17 anos novamente. 

Escrevo mesmo sabendo que semana que vem voltarei naquela vidente por não ter gostado dos resultados e espero que um carro amarelo me bata com força mas, ao invés de matar, transforme a minha vida como Macabea não teve a chance - seria idiota dizer que eu devo uma boa vida à Maca? Seria inútil assumir que agredi minha própria autonomia em prol de uma realidade que não é minha mas que eu queria tão desesperadamente que fosse para que, assim, pelo menos, fosse escrita? Perdão, Maca, não posso te salvar mais. Daqui pra frente sou eu com meus demônios.

Amor

Livramento

16:09



Morning sunshine




Leia ouvindo: Depois - Tribalistas

Hoje eu me lembrei o motivo pelo qual não escrevo sobre você há tanto tempo - porque eu sempre escrevi para você. Mas agora eu estou determinada em encerrar esse ciclo vicioso entre achar que você é o cara certo e ter certeza que eu não quero te ver nunca mais. Então, por isso, hoje, eu pedi esse computador emprestado para escrever sobre/para você, sem que você ouça de mim, necessariamente. É estranho, sinto que eu perdi o jeito com as palavras, mas sei que logo tudo volta a ser bem familiar. Então não estranhe se eu não parecer eu mesma, estou apenas conversando com essa velha amiga que eu chamo de "eu".

É engraçado como a gente só aprende determinadas coisas apenas olhando para trás; olhei hoje e vi que, por Deus, como eu arrisquei tudo por você. Isso, com certeza, é algo que você não vai entender ou reconhecer, mas que é tão claro pra mim. O tempo todo eu estava numa linha tênue entre ser quem você precisava que eu fosse e surtar completamente por não conseguir. Hoje eu tenho uma cama de casal e durmo sozinha - sei que á te convidei algumas vezes mas, sinceramente, não me vejo dividindo essa vida caótica com mais ninguém além de mim. O que estou querendo dizer é que me esqueci por uns dias e não pensei no que eu realmente queria. Acessar esse "realmente" é meio chato e dolorido e eu ainda não tenho a resposta certa, mas olha só a vida que vivemos. Extremos opostos e eu não posso viver a mercê desse jeito.

Aprendi comigo mesma que eu sou um paradoxo: preciso de segurança mas não quero estar presa. É como um seguro de viagem. A segurança que eu sentia em você era única e especial, mas em algum momento isso passou a ser minha corda bamba. Você pulou fora antes que eu percebesse a dor que eu sentia no peito. Voltou antes que eu pudesse me costurar. Depois foi embora, de novo, antes que eu pudesse me lembrar de  como era seu rosto. Você iniciou um ciclo que eu, quase um ano depois de ter quebrado um anel de coco de péssima qualidade, não consegui encerrar. Me coloquei em risco confiando que você sabia o que estava fazendo. E não sabia. Ainda não sabe porque tenho certeza que quando você sentir miserável de novo, é a mim que você vai mandar mensagem pedindo aquela massagem no ego que eu me recuso a te dar.

De certa forma, eu sinto que você me deve algo. Você me deve submissão. Amor eterno. Gratidão profunda. Todas as suas histórias de bar. Você me deve ser sua dor mais horrorosa e terrível porque é exatamente o que você é pra mim: uma decepção típica de um relacionamento adolescente demais para sequer dividir uma cama visto que a gente não tem responsabilidade para cuidar do coração um do outro - se fosse só sexo, estava fácil. Você me deve um pedido de desculpas por ter entrado na minha vida e bagunçado o que havia de mais certo em mim. Talvez seja por sua causa, por medo de te encontrar no metrô ou qualquer coisa do tipo, que eu ainda estou presa nesse passado que não me parece certo. Desculpa se te carreguei de culpa, mas agradeço por ter estrago tudo pois eu precisava muito de um tempo pra pensar.



Hoje eu me livro, ou no minimo aceito que você foi mais um erro maravilhoso que cometi, para buscar um propósito que não envolva eu e você tendo uma filha no final. Eu quero que você seja feliz, eu juro que quero. Mas do mesmo jeito que te falei naquele quarto de hotel, não quero estar perto para ver isso. Provavelmente porque eu queria ser parte da sua felicidade, mas não suportaria a sua inconstância. Te juro que estarei sendo feliz daqui, de Belo Horizonte ou talvez de outro lugar, mas não sei como ainda. Sozinha é tudo mais difícil, mas também é muito mais emocionante.

Perdi as contas de quantas vezes eu me despedi e acabei voltando para pedir algo. Eu sei que isso pode ser egoísta - e de fato é -, mas eu não estou questionando meus defeitos aqui, nunca disse que seria fácil ir embora ou que isso fosse uma vontade certa. Eu tenho muito medo do que a vida tem preparado para mim e você fazia tudo parecer leve. Mas agora é hora de eu mesma me fazer leve e levar leveza para onde eu for. Parto em alguns dias para um lugar que nunca fui e sozinha porque eu posso. Porque eu trabalho, porque eu tenho minha casa e tenho meu dinheiro. Tenho tempo - coisa que, convenhamos, você não tem nem para você mesmo. Isso significa que não vai ter mais espaço para você daqui pra frete porque preciso dos vagões vazios para a viagem não pesar e eu precisar parar ao longo do caminho para descarregar. E se eu chega sem nada, bom, pelo menos eu cheguei.

Peço, ritualisticamente, que você suma. Que você pegue todas as dores que me causou e leve com você como exemplo - essa sua namorada nova é incrível, por favor, não erre com ele de novo. Peço que você seja representante do meu passado e, em troca, eu prometo não te procurar para resolver qualquer assunto pendente. Algumas vezes, é preciso lidar com a dor não lidando com ela. E eu quero a leveza de poder deixar você ir embora, da mesma forma que você me assistiu saindo do metrô - foi tão bom, eu me senti tão bem sem sua energia no meu corpo (apesar de me sentir suja).

Esse não foi um bom texto pois estou guardando os melhores para o livro que publicarei em breve. Você não merece uma boa crônica, ou um bom poema, mas você merece respeito. E em respeito aos 2 curtos anos que compartilhamos a vida, encerro com todos os pontos que você quiser(!!!!!). Anuncio minha partida e anuncio a sua volta para ti mesmo. E apesar de sentir que você me deve todo o seu império, eu também só espero que você me respeite e reconheça o meu cansaço. Estou cansada de ser a amante, a estrangeira, o caos, seu ponto fraco. A partir de agora, eu sou problema meu. Me deixe comigo.

Amor

A vida dos sentimentos

15:35



Leia ouvindo: Cecília - Anavitória

Escrever para você é até mais fácil do que escrever sobre você. Mas, alguma coisa dentro de mim, algum bicho que cruza essas veias precisa ser defenestrado - tomei a liberdade de substituir a janela por boca e espero que você entenda que, na verdade, o bicho são palavras e que as palavras são tudo o que eu gostaria que você entendesse. Não sou nem um pouco didática, o que, provavelmente, seja o principal empecilho entre a gente. Você dá aula de geografia e tudo é tão milimetricamente calculado entre escalas e proporções. Enquanto eu, que dou aula de alma, ou seja, de poesia, viajo até no ponto torto dos poemas dadaísta. Isso me impede de te amar? De amar sua objetividade e, quem sabe, amar até a raiva que você me faz passar por não ler minhas entrelinhas?

Infelizmente, matérias escolares não são nossa única diferença. As diferenças, que se resumem em falhas comunicativas e uma visão divergente do futuro, podem ser apenas um teste divino que me faz querer, cada dia mais, lutar contra os demônios e abrir as portas do paraíso, onde você me espera(ria). Mas ao invés de falar sobre as coisas que nos distanciam, decidi escrever sobre as outras mil coisas que nos fizeram chegar até aqui. As outras mil coisas que eu penso quando deito a cabeça no travesseiro e tento refazer meu dia só pra passar mais tempo com você. O seu sorriso, por exemplo, quando qualquer pessoa fala qualquer coisa. E até quando você ri de nervoso e finge que tá tudo bem só pra não piorar mais a situação. Sempre foi assim. Sempre gostei que fosse assim.

Entretanto, de uns tempos pra cá, eu venho me sentido fraca. Acordo cedo, coloco logo uma máscara que só cai de noite, no banho, quando o peso finalmente desaba pelas costas e eu não tenho mais força para sustentar tanta dor. Eu tenho me sentido fraca por ter medo de ser fraca, sendo que eu fui forte por tanto tempo. Mas agora tudo me parece uma ameaça; um teste constante. Tenho medo de usar as palavras e que você me olhe torto, como quem julga o livro pela capa - o que não faz sentido, sendo que sempre fui o mais aberta possível pro mundo inteiro. Crescer é difícil e crescer ao lado de quem ama pode ser um pouco menos penoso. Mas por que eu quero tanto que você suma? Por que, no meio da noite, eu penso tudo seria mais fácil se eu nunca tivesse te tocado? Algumas coisas são elásticas e nenhuma mola volta ao seu estado original. Somos molas e você me deformou de uma forma linda, porém, instável. Linda porque você virou minha poesia mais linda - e instável pois, bem... não me tornei mais consciente depois de você.

Sempre defendi que amor não sustenta nada nessa vida, nunca foi o bastante para carregar o ar que respiramos - é preciso ter firmeza. É preciso ter certeza. E por mais que eu queira me justificar por tudo o que eu falo, sinto que as palavras fazem mais sentido na minha cabeça mas deixariam de fazer sentido se você as interpretasse - por fim, eu prefiro o mistério. Prefiro que a interpretação vire um sonho lúdico e que a gente continue nessa sinestesia infinita, uma figura de linguagem muito mais bonita que a realidade; do que acabar com tudo por conta de uma vírgula - ou um ponto e vírgula, ou, no pior dos casos, um ponto final. Gosto do silêncio, raras vezes, mas principalmente quando você está deitada no meu colo e eu sinto a responsabilidade de permanecer imóvel - qualquer inspiração ou expiração é uma ameaça pra destruir o mundo que tanto penei pra construir. Do seu lado, mas paralelamente ao seu.



Falar sobre amizade, por fim, é mais difícil que falar sobre o amor - amizade é uma manifestação mais pura do amor, pois não tem o peso do orgulho, não tem a imundice da raiva. Um beijo na boca é mais tóxico do que um toque, talvez, quando o toque não vem carregado de paixão. E falar sobre o que a gente tem é confuso pois tenho privilégios demais dentro dos dois conceitos para reduzir em um só.  De qualquer maneira, espero que fique um pedaço de quem eu sou em todos os âmbitos pois não quero ter que ser outra pessoa para ficar perto de você. Quero poder me colar e descolar quando necessário. Quero poder virar seu travesseiro e você meu cobertor. Quero ter a liberdade de desligar o telefone quando me faltar palavras mas também de poder discar seu número quando a saudade transbordar. Quero ser, por fim, sua. Me deixa ser.

Quando eu, então, puder usar minha poesia sem medo, puder proliferar minha alma em forma de flor, eu sentirei conforto em ficar. O aconchego nem sempre vem em tsunamis e terremotos - na maioria das vezes ele vem num vento bem fininho. Nesses que até sussurram seu nome; e deita; e fica. Quando eu, por fim, puder soltar minhas asas ao teu lado e te convidar para voar comigo, saberei que nosso encontro é milenar e prometo nunca mais duvidar de uma palavra que disser - não se pode contrariar a voz dos anjos. E se um dia, daqui uns anos, a gente se reencontrar - pois nada deu certo e a gente precisou se separar para construir tudo de novo -, nada mudar, saberei que meu sorriso, no fundo, era seu e ele estava só esperando você chegar.

Talvez eu consiga escrever melhor do que acabei de fazer e com certeza você merece mais do que palavras abruptas num texto da internet que quase ninguém lê. Mas eu só queria que você soubesse que eu estou tentando. Tentando, além de ser forte, não deixar a fraqueza se tornar um problema. Tentando ser o melhor que posso ser pois você merece a parte boa que tenho a oferecer e não a confusão que se instala esporadicamente, sempre quando mercúrio está retrogrado, ou quando o sol está em um signo de água. Mas espero que você também tente me amar mesmo assim, mesmo eu sendo essa pessoa desconexa e sem coesão, porque infelizmente eu não posso ser melhor do que isso. Minha função é organizar o mundo mas o mundo não se preocupou em me organizar.

Amor

Saudade

12:38


Leia ouvindo: Fora de Foco - Manu Gavassi 

Fiquei pensando, basicamente durante o domingo inteiro, se eu deveria escrever esse texto. Ás vezes, o coração fala mais alto do que eu consigo ouvir e preciso organizar as coisas. Coisas essas que eu nem sempre gosto. Essa crônica não é sobre o que devemos esquecer, sobre o recomeço que nunca vai chegar. Eu sinto falta de escrever sobre o jeito que, com você, eu sou sempre uma adolescente vivendo um sonho. Realizei minhas primeiras fantasias ao seu lado e não queria deixar esse sentimento bom se diluir no meio de tanta complicação que eu acabei encontrando no meio do caminho.

Eu espero, de coração, que você saiba o tamanho da falta que você faz. A semana inteira eu tive que segurar os dedos para não te mandar alguma mensagem falando sobre como eu estou aflita, ou extremamente feliz com algumas pequenas conquistas que têm me deixado transcendente. Você ainda faz parte da minha vida, por mais que eu tenha ido embora da sua. Em vários momentos eu me pego pensando em você e em algum momento que passamos e é, literalmente, um flashback horrível que me faz sentir como se eu pudesse te tocar por alguns míseros instantes. Eu encaro o horizonte, viajo por uns instantes e, no meu rosto, estampa um sorriso tão singelo, mas tão profundo, que, adivinhe? Tem seu nome.

Eu entendo que essa saudade toda vai passar, infelizmente. Mas queria registra-la enquanto ela está aqui, sendo coisa boa, marcando seu território com tudo de incrível que construiu nossa história. Acabei aprendendo a não encarar sua partida como uma coisa triste, mas sim, como só mais uma batalha que vai me transformar em alguém muito melhor de quem sou hoje. Você teve seu momento para me transformar e foi ótimo aprender tudo o que você tinha pra me ensinar. Mas, de alguma forma, eu preciso aprender alguma coisa com essa falta que você faz. Cansei de deixar você me completar - sinceramente, tenho tido pavor de passar tempo demais com as pessoas -, e agora quero só caminhar do seu lado. Ou, pelo menos, te assistir caminhar em busca dos seus sonhos enquanto eu faço o mesmo.

É impossível citar todas as coisas que me fazem falta. Em alguns momentos cruciais do meu dia, você aparece e marca presença no meu peito. Uma parte de mim deseja profundamente viver tudo de novo, mas, outra parte sabe que isso não pode acontecer porque, se acontecer, vai atropelar um tanto de outras histórias que a gente ainda tem pra viver. Nunca pensei que eu ia conseguir amar tanto uma pessoa que não pode, que não consegue ficar comigo. Mas eu amo. E não só te amo como também amo tudo o que a gente passou junto. Ficar do seu lado foi, sem dúvidas, a melhor coisa que já me aconteceu na vida. E de forma alguma - acabei demorando um pouco pra aceitar isso - eu conseguiria sentir outra coisa senão gratidão por você.


Dói. A gente sabe que dói. Fico querendo conversar com você o tempo inteiro e dividir a cama de novo, mas não posso. Essa coisa toda de desfazer laços é muito mais difícil do que eu achei que seria - estou chorando depois de meses sem conseguir derramar uma lágrima sequer. Mas eu entendo que é algo que precisa acontecer se a gente quiser continuar, de certa forma, sim, juntos. O que esse "juntos" vai significar daqui um tempo, eu não sei, não depende de nós. No fim, "nós" nunca dependeu de nós.

De qualquer maneira, esse texto foi apenas uma tentativa de te avisar que eu ainda estou aqui, sentindo sua falta diariamente - por enquanto. Digo por enquanto porque eu quero muito ter a chance de te reconquistar, com uma nova versão minha. Mais feliz, mais saudável, pronta para levar a vida a sério e não cair sempre que tropicar. Quero poder trocar olhares, sorrisos e viver todo esse sonho adolescente de novo. Ainda não sei como fazer isso e, sinceramente, não quero saber. O que sei é que estou extremamente feliz com meu presente e apenas alguns fatores do futuro me preocupam, e
você não é um deles.

Eu sou uma pessoa muito diferente. Bem diferente do que eu achei que um dia seria. Mas, no fundo, eu sou extremamente apaixonada por quem eu me tornei - mesmo que eu não saiba exatamente "quem" eu sou. Daqui uns meses, uns anos, não sei, quem sabe, esse cenário tão utópico não vire realidade de novo. Você mesmo disse que São Paulo é minúscula para duas pessoas se trombarem durante a semana. Sempre vou estar te procurando, te pesquisando, pensando em você. Torcendo para que, um dia, meus pensamentos te atraiam e a gente possa, finalmente, ir naquele restaurante que ficamos um ano inteiro enrolando pra ir.

Não vou encerrar o texto e começar o parágrafo dizendo que eu te amo por dois motivos: eu não preciso repetir isso porque você sabe e acho que lembrar de um amor que não é concreto pode ser só mais torturante para nós dois. A única coisa que eu queria dizer é que estou morrendo de saudade e esperando ansiosamente o dia que você for voltar - ou for embora de vez. Eu sempre vou estar aqui, sendo a mesma que você deixou, mas, ao mesmo tempo, alguém completamente diferente.


"Amor"

Pedra

09:13



Isso é sobre mim. Sobre minha inconstância frequente e inerente que me deixa feliz de manhã e angustiada de noite. É sobre minha vontade incontrolável de querer sair da sua vida sem dar tchau porque dar tchau é dolorido demais pra mim. É sobre tudo o que eu tive que jogar fora para conseguir reconstruir o que você destruiu, mas que eu até gostei disso. Gostei de entender minhas paredes, reorganizar os quadros e até pintar alguns novos. E tudo é sobre como eu não faço ideia do que fazer.

Eu virei uma pedra. Uma das piores. Daquelas que não servem nem para construir casa, ou esfoliar os pés na areia. Eu sou, literalmente, uma pedra imóvel e estática com a única função de não sentir nada.  Eu até tento mudar e ser uma pessoa diferente. Até tento escrever com palavras e estruturas novas, como se eu fosse muito mais inteligente do que eu, de fato, pareço ser. Mas quando eu penso que, ah, pronto, me tornei uma pessoa forte o bastante para enfrentar a vida, alguma coisa coloca em prova toda minha força. E adivinha? Eu falho.

Não sei lidar com você. Com sua voz, com suas lágrimas, com suas promessas de que a gente vai se reencontrar na paulista e que tudo vai ser diferente. Você, com sua blusa verde militar. Eu, com minha camisa preta listrada - tudo bem, essa parte fui eu que inventei. Eu quero tanto que isso acabe, por Deus, como eu quero ir embora. Mas ao mesmo tempo, sua cama ainda tem meu cheiro, nossas fotos ainda estão na sua escrivaninha e cada carta ainda está guardada na gaveta. Como eu posso ir embora assim? Como eu posso me deixar ser esse fantasma que ficou preso no seu banheiro e que aparece sempre que você fala "eu te amo incondicionalmente" três vezes na frente do espelho?

Muitas vezes eu pensei em apagar cada vestígio seu na minha vida. Seu número. Suas fotos. Suas roupas. Seus textos. Muitas dessas coisas viraram uma contribuição para o buraco da camada de ozônio e aquecimento global. Mas eu não me importo em te queimar. Não me importo em colocar todo nosso passado na fogueira porque fazer isso é muito menos dolorido do que tentar ser madura o bastante pra encarar que o que aconteceu faz parte da minha vida e não é uma coisa que eu consigo destruir. Ao invés disso, eu virei pedra. Deixei as lágrimas secarem e tudo o que restou foi: pedra.



Você, querendo ou não, sempre vai estar ali. Na mensagem do telefone. Nas músicas. Nos quadros, na arte que eu faço o tempo inteiro. E no fundo eu sei que não quero me despedir de você porque, se eu fizer isso, vai ser como se eu estivesse me despedindo de um pedaço de mim. E eu, que nunca te entendi muito bem, te entendo completamente quando você diz que não foi embora por falta de amor. Eu te amo tão profundamente. Cada palavra que eu disse é a verdade mais pura que eu guardo dentro de mim e sempre vou ter o prazer de lembrar dela quando falarem de você. Mas até isso acontecer, eu vou ter que achar um meio termo entre te odiar completamente e não te deixar ir embora.

Talvez eu só precise de um tempo. A gente sabe o quanto esse ano vai ser difícil e que a gente já não se encaixa mais na vida um do outro. Por mais que a gente tente. Por mais que derrame cada vez mais sangue para dar continuidade pra algo que passou da hora de acabar. O problema é encarar isso como realidade. Enquanto a gente está em estado de choque, fazemos de tudo pra fingir que nada aconteceu. Mas aconteceu. E o que a gente faz agora?

Agora, eu vou fazer o que eu já venho fazendo há muito tempo. Deixo o tempo passar, vivo um dia após o outro e me aproveito do benefício da dúvida. Querendo ou não, pra mim, essa é a saída mais saudável, já que meu ascendente em libra esqueceu a certeza no churrasco. E talvez seja a incerteza que me mantenha respirando. É assim que eu tenho sobrevivido e não tem nada de errado em estar errada. Ou em, simplesmente, não estar. Não estar de fato, não estar nada. Não ser. Ou, quem sabe, ser pedra.

Eu não quero resolver nada. Não quero dizer adeus, não quero que você fique, mas também não estou te pedindo para tomar qualquer providência. Desculpe se isso tudo te pareça apenas mais do mesmo, mas pra mim, ser pedra é tão dolorido quanto ser arte. Ou rio. Ou qualquer coisa figurativa que você consiga pensar agora. E, assim como você disse, eu tenho, de fato, um plano de me instalar em cada lugar que eu passo. Deixo um pedaço de mim em cada matéria prima que eu toco. Deve ser por isso que você ainda tem essa cor dourada quando sai ao Sol. E brilha, e reluz e permeia uma energia que, convenhamos, é linda do mesmo jeito.

Eu poderia ficar aqui, durante horas a fio, te escrevendo sobre isso de escolher não ter certeza, mas acho que a tese principal você já entendeu. E se não entendeu, eu deixo aberto para a interpretação que lhe convier, independente do fato de que você é gelo, e eu sou fogo. Oh não, espere. Eu sou pedra. E sendo pedra eu vou terminar esse ano da maneira mais digna possível e, apenas quando eu colocar o meu último ponto final naquela ilegítima folha de papel, eu vou poder desabar no alívio de, que merda, sentir a sua falta.

Leia ouvindo: Too Late To Say Goodbye - Cage The Elephant

Amor

Clarice

14:02


Não consegui dormir essa noite, fiquei pensando em você. Sempre que seu nome passava pela minha mente eu sorria, inevitavelmente, e fechava os olhos, rezando para que aquela sensação nunca fosse embora. Eu decorei o formato dos seus olhos, não a cor, mas o exato diâmetro das suas córneas. Decorei os rabiscos da sua boca que completam os desenhos mau feitos dos meus lábios. Decorei cada cacho do seu cabelo que cai, gentilmente, pelos seus ombros sempre que você sorri - isso quando você não coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha e olha pra baixo fingindo que está tímida. 

Durante a noite eu fiquei passeando pelos seus detalhes, tipo aquela vez que nos encontramos em sonho e o seu corpo pareceu pertencer ao meu. Quando nosso coração começou a bater no ritmo da música que dominava o quarto. Quando eu fiquei passando a ponta dos meus dedos sobre seu corpo nu enquanto você lia aquele livro que eu nunca entendi muito bem sobre o que é. Você tem sido mais do que um passatempo, a verdade é essa. 

Você tem sido mais do que prometemos que seríamos. Você faz mais parte da minha vida do que eu mesma serei parte da minha própria. Você já sabe onde eu guardo os meu CDs, não pede mais para pegar roupa emprestada e já cativou meu sorriso sempre que eu te assisto passar um rímel. Eu escrevo sobre você como se eu tivesse pintando um quadro. Você tem suas cores, seus traços e existem palavras específicas para te definir. Como, enigmática. Dissumulada. Entranhosa - aquela que penetra as entranhas. Eu só sei que meus sonhos têm sido mais felizes desde que você chegou e eu não quero te deixar ir embora tão cedo. 


Quero dizer, claramente você é filha do mundo e eu sou simplesmente uma parada nessa viagem da sua vida. Mas como todo barco que abandona o cais, eu vou sentir sua falta quando olhar pra dentro do guarda roupa e não ver mais suas camisetas de banda que só você gosta. Sabemos que nós duas temos questões para resolver e que um amor de outono é tão líquido quando a água do rio em que demos nosso primeiro beijo. Você lembra? 

De qualquer maneira, você é eterna. Nossa história é eterna. E será eterna até o dia em que sua marca de batom sair da minha blusa branca - que você manchou enquanto tentou tira-la. Não gosto de dar nomes aos bois, mas o que temos é especial pra mim. Sempre vou te guardar como aquele poema que escrevi enquanto ouvia Radiohead na cozinha e você tomava banho. Você é mais do que eles dizem que você é. E eu sei disso. Sempre soube, desde o dia em que você me entregou aquele papel que continha o primeiro capítulo da aventura mais divertida da minha vida. Tem sido incrível compartilhar meu mundo com você e espero que você fique enquanto puder. Mas quando for embora, será um prazer te receber de volta.

Leia ouvindo: Marceline - Ana Muller

"Amor"

Há um ano

09:20



Ei. Hoje a gente faria um ano. Tentei me convencer e repetir pra mim mesma que eu não tenho nada pra te falar. Que eu tô bem. Que eu vou ficar bem. E, de fato, tudo o que eu falar aqui já foi dito em algum poema ou algum texto que eu te escrevi nos últimos dias. Sinceramente, não quero que você os leia. Não quero que você pense em mim como eu estou pensando em você. Na verdade eu quero, mas não dessa forma. Não dessa forma distorcida e suja que acabou manchando todo o nosso resto de história - que você faz certo em tentar apagar. Mas eu não consigo esquecer apenas um pedaço seu. Eu fico esperando, o dia inteiro, receber uma mensagem sua que diga qualquer coisa. Fico imaginando o que eu estarei fazendo no momento em que você voltar. Se você vai voltar. Fico idealizando o nosso futuro daqui pra frente e todas as outras coisas que eu preciso organizar antes de pensar em "nós", propriamente dito.

Eu ainda não consegui escrever uma história na qual você não faça parte e estou meio receosa em fazer isso mas, afinal, essa é apenas a segunda semana. E, não sei se é mérito meu ou apenas consequência do tempo, mas eu estou relativamente excelente para quem terminou um namoro de 1 ano há uma semana. Já consigo beijar outras pessoas, consigo não pensar em você durante vários momentos do dia, consigo falar seu nome sem chorar e até brinco com minhas amigas, chamando-as de "tchuchu". A vida segue e tem seguido muito bem por aqui. Algumas vezes as lembranças chegam, balançam o que estava instável e deixa ali, plantado, um certo medo. Medo esse que, eu descobri, é 100% inútil. Tão inútil que eu escolho não dar a ele o poder de me bagunçar. Não tenho controle do futuro, entende?. Independente do medo que eu sentir, as coisas vão acontecer, mesmo que eu não queira. Do jeitinho que eu não quero. Então, pra que sentir medo? Controlar as emoções tem sido algo crucial que eu aprendi bastante nesses dias. Além de conseguir dar um "basta" em tudo que não me deixava ser feliz, finalmente conversei com meu coração e disse a ele que é tudo uma questão de virar a chave. Viu?

Um texto sobre você sempre acaba virando um texto sobre mim. Talvez eu queira te convencer de que eu já estou pronta pra você voltar. Talvez eu só queira ter certeza  de que você ainda se importa comigo. É inevitável me perguntar se você ainda pensa em mim, mesmo eu sabendo que sim. Mesmo sabendo que você ouve meu sotaque todos os dias e que isso te quebra. Mesmo sabendo que distância não significa falta de amor - e a gente bem sabe disso. É muito coisa que eu preciso entender e enfrentar e, a única coisa que eu sei, é que eu não sei de nada. Vivi a vida em busca de sinais porque sempre me pareceu assustador demais não saber o futuro. Sempre li a ultima pagina dos livros - aí está um fato que você não sabia sobre mim. Sempre pedi pra contarem a continuação de tal filme para que eu não ficasse aflita durante a cena de luta. Mas com quem eu converso pra me contar o que será de nós daqui 2 meses? Qual livro eu devo ler pra saber o final dessa historia?

Desde que tu foi embora as coisas ficaram um pouco mais claras na minha vida. A bagunça se instalou, mas agora eu sei o que arrumar. Por onde começar. Minha relação com o futuro, com Deus e com tudo que é abstrato sempre foi muito complicada - talvez, nem a minha relação com a arte seja de toda tão harmoniosa. Não consigo confiar nas incertezas. Minha desconfiança sempre partiu de dentro e eu acabei colocando tudo isso em você. Só não te peço desculpas porque a culpa não é minha. Eu fiz o que eu dei conta, sempre fiz o que estava a meu alcance. Mas eu te agradeço imensamente por ter sido a menor distância entre mim e eu mesma. Eu ainda trabalho profundamente para diluir os sinais no meu cotidiano - ou tudo o que parece um sinal - já que a vida é uma montanha-russa sem cinto de segurança (não sei se isso fez sentido). Afirmar qualquer coisa antes da hora é chegar no final sem, ao menos, ter linha de chegada.


Vivendo um dia após o outro eu vou absorvendo essa dorzinha de dente chata que aparece durante a manhã mas que eu escolho deixar ir embora. Como eu disse, eu só quero que o tempo passe. Essa semana nunca demorou tanto pra passar e eu tenho certeza que passou voando pra você. Você é assim: tão calmo e tranquilo, que corre para pegar o ônibus, sem medo de perde-lo. Eu sei, eu tô começando a entender isso. Aprendi em outros relacionamentos que a melhor maneira de conhecer outra pessoa é ficando longe dela - é mais fácil a teoria do que a prática. E então, de todos os finais alternativos que existem entre nós dois, eu sei que nenhum deles depende de mim. Ou de você. Ou de qualquer memória que faça o jogo virar aos 45 do segundo tempo - o que inclui uma cama de solteiro, um dia de chuva e qualquer hamburgueria da cidade de São Paulo. Mas sim, de uma certeza muito maior que chama-se: vida. Independente do final, eu sei que as coisas vão dar certo e isso tranquiliza muito meu coração leviano e levíssimo. Não sei onde você está, mas espero que tudo o que eu estou sentindo agora chegue até você, de alguma forma. Toda essa força, essa saudade e essa vontade de ir em busca do amor próprio, doa a quem doer. Descobri muito sobre mim. Descobri muito sobre a vida. E quero continuar assim, com ou sem você.

De qualquer maneira, feliz aniversário. Feliz aniversário à nossa tentativa, à nossa luta, ao nosso amor - que é infinito e foi infinito enquanto durou. Espero de coração te reencontrar algum dia na floresta de concreto e aço que eu poderei chamar de "casa" daqui alguns meses. Meu orgulho odeia admitir mas eu sinto a sua falta todos os dias, em todos os olhos azuis que cruzam meu caminho. Esse texto não é sobre sentimentos, mas sobre o "crescer individualmente" que a gente sempre disse e sabia que ia chegar. Mas saiba que para você, minha porta esta sempre aberta, seja para se hospedar, seja apenas para tomar um café. Pode voltar quando quiser, será uma prazer te receber (eu realmente gostei muito de usar essa metáfora da casa).

Te amei infinitamente. Te amei mais do que eu já fui capaz de amar outra pessoa e ainda tenho muito amor guardado aqui pra quando você quiser receber. Só quero terminar dizendo que vida não é tão ruim quanto parece e desejo muito que você aprenda isso da mesma forma que eu aprendi. Por mais que, a priori, a confusão esteja instalada na sua mente e no seu coração, tome seu tempo. Nenhuma borboleta nasce pronta pra voar e eu tenho certeza que seu futuro é o mais próximo possível do céu.

Ainda tenho tantas coisas para escrever sobre tudo isso... Mas como você nunca vai ler esse texto, eu vou só empurrando as palavras pro canto da cama. Empurrando as memórias pra debaixo do tapete. Empurrando a esperança pra dentro da gaveta. Até o dia em que eu acordar e as coisas estiverem ajeitadas, tudo do jeitinho que tem que ser. Abro a cortina, vejo que o dia está cinza e volto para cama. O que acontece a partir daí, é cena de um capítulo que eu ainda não escrevi.

Eu não sei de nada. E sinceramente, eu não quero saber.

Leia ouvindo: Honest - The Neighbourhood

Amor

Amor não é o bastante

14:06


Um dia eu acordei de madrugada reclamando de sede e ele levantou, desceu até a cozinha e buscou uma garrafa gelada pra mim. Ontem ele me pediu para que eu o deixasse dormir a noite toda - já que eu sempre chuto, falo, cutuco ele enquanto durmo. Eu deixei, mas mesmo assim, ele acordou a noite toda para me cobrir achando que eu estava passando frio. Ele faz piadas com minha braveza, descruza meus braços, rouba beijos e é assim que eu sei que é amor. Mas amor não é o bastante. Amor não deveria bastar. 

O que importa é o infinito que criamos para nós dois e vivemos nele coberto por olhares e vozes que são singulares, únicas. A junção dos nossos dedos e nosso suor que resulta num novo elemento químico capaz de se auto destruir, mas sempre se reinventar. Eu cansei de tentar sincronizar nossa respiração enquanto estamos deitados e agarrados, mas eu acho que entendi que essa alternância é o que realmente mantém a gente vivo. 

Se os chineses não tivesse inventado o ying e o yang antes, com certeza, teriam descoberto na gente. Essa pulsação do quente e do frio, a linha tênue entre a raiva e o perdão. A certeza de que nada é motivo o bastante para ir embora. É amor, eu sei que é. Mas amor não é o bastante. O bastante pra nós dois é conseguir dividir uma cama de solteiro no calor de fevereiro e visualizar em cada lágrima que derrama, ali, um ser humano. 

Descobri, por fim, que amor incondicional é muito maior do que a teoria pode explicar. Do que a própria prática pode explicar. Mas que é explicável sempre que ele faz aquela voz que ele sabe que me irrita até o último fio do meu cabelo, mas que eu não me importo nem um pouco em ouvir aquilo pelo resto da minha vida. O sorriso, a cor do cabelo, o brilho... Tudo isso é muito pouco. Ele não responde minhas mensagens, nunca entra em desespero, é a pessoa mais fechada que eu conheço. 
E eu amo, mesmo sabendo que comprei esse karma na promoção pelo Mercado Livre. 



Eu amo tão profundamente que nem a força de todos os deuses seria capaz de mexer um milímetro se quer nesse nosso amor - que não, ainda não é o bastante. E acho que nunca vai ser o bastante porque seres humanos são complexos, muito mais complexos do que uma palavra que perde o significado tão facilmente. Talvez nada seja o bastante e talvez seja justamente essa a missão quando amamos alguém - se contentar. Crescer é complicado e duas pessoas crescendo juntas pode ser catastrófico. Mas eu não ligo. Não ligo de devastar todas as esperanças que depositei, não ligo de perder todas as fichas em um único jogo. A única coisa que eu espero é poder me reencontrar nos seus braços sempre que tudo estiver perdido; poder me jogar no brilho dos seus olhos sempre que o meu corpo não for o suficiente para segurar minha alma, e então, eu me entrego ao dele.

Cada pedaço, cada detalhe, cada espaço daquele ser é um motivo para continuar vivendo. Eu, que sempre fui meio egoísta em relação à vida, nunca pensei que daria tanto valor a minha respiração. Nunca pensei que me preocuparia tanto com alguém que está tão longe. Nunca pensei que seria tão feliz com alguém que, simplesmente, existe. É surreal poder confiar em alguém que mais parece uma extensão de mim - mesmo eu não gostando de admitir isso. É surreal ter moradia dentro de outro coração que tem a temperatura certinha pra me receber. Mas eu ainda sinto que falar "eu te amo" é vasto e vazio demais perto de tudo que eu realmente sinto por ele. 

Não sei porque eu estou falando na terceira pessoa sendo que estou falando diretamente com você. Acho que estou tão acostumada a citar seu nome para outras pessoas que, um simples caso, pode se tornar uma declaração de amor que foi jogada aos ares e soprada pelos ventos, procurando seus ouvidos. Espero que você receba todas. De coração. Cada suspiro meu, é teu. E cada palavra de gratidão que eu solto, eu dedico a ti.

Eu fico aqui, aflita, te esperando chegar. Esperando para ouvir sua voz e apenas descansar meu cansaço em você. Essa vida ainda não é o bastante para tudo o que ainda temos para viver e o tanto que eu quero te amar. O mundo é muito pequeno para conhecer com você, acho que vamos ter que criar um diferente. Só nosso, com as nossas sete maravilhas que se resumem em comida e filmes bestas. E uma cama bem grande para caber nós dois. Mas mesmo assim, acho que nada será o bastante.

De qualquer forma, eu sei que essa é sua última reencarnação aqui na Terra. Mas será que você pode voltar só mais algumas vezes? Só pra me ver? Eu vou sentir saudade. Muita.

Leia ouvindo: Without You - Oh Wonder

Amor

Algumas coisas que eu preciso te dizer

13:19



Eu sei que faz algum tempo que eu não escrevo sobre você. Sei que tudo anda meio confuso e que, talvez, a gente tenha perdido o rumo de casa nesses últimos dias. Eu ainda estou engasgada, querendo soltar tudo o que tá preso aqui dentro, mas eu não consigo. Não agora. Em algum momento eu sei que o Sol vai abrir e que tudo vai voltar a fazer sentido, igual sempre fez. Até eu conseguir me por no meu lugar, fica difícil explicar em detalhes quem eu sou, onde estou e o que estou fazendo. Mas eu tenho algumas coisas pra te dizer. E espero encontrar um jeito de fazer isso.

Em primeiro lugar, eu amo você. Sei que o clichê dessa frase é inegável, mas clichês são clichês por algum motivo. E entre tantas perdas e tantas fugas, eu acabei descobrindo que o mundo sem você é sem graça demais pra se viver. Eu não sei ainda o que o amor faz com as pessoas, se ele é uma simples droga ou se ele é uma substância vital. Ou se ele não é nada disso, mas a gente gosta mesmo assim. E eu não estou aqui pra te provar que o que eu sinto por você é verdadeiro, mas de alguma maneira, eu só queria te pedir desculpas. Não por ser quem eu sou, não por ter feito algo errado, mas sim por ter esquecido que eu sou a pessoa mais sortuda do universo.

Sempre que você me estressa eu paro e lembro que existem oito bilhões de pessoas no mundo. E dentre essas oito bilhões, de alguma forma milagrosa, a gente se encontrou. Foi rápido. Foi intenso. Foi inconsequente. Mas ao mesmo tempo, foi a coisa mais verdadeira que eu já ousei tocar. E eu sei que eu preciso entender que, por mais que o amor seja muito mais do que quatro letras formando uma palavra, nós também somos muito mais do que isso. Explosões são necessárias para recomeçar e o recomeço é necessário para ajustar algumas peças soltas. De repente, tudo ficou vulnerável demais e eu desabei.



 Eu sinto sua falta.

As palavras continuam escorregando no papel, como sempre fizeram quando eu falo de você. Mas dessa vez, não é só a caneta que está escrevendo. Por mais externa que eu seja, eu ainda tenho um orgulho imenso, que você vem diluindo desde o dia que eu te vi descendo daquele ônibus. De óculos escuro, com cara de mau como se nada mais importasse. E não é que todo o resto pareceu completamente inútil depois disso? Mas, mesmo com tanta emoção em cada passo que damos juntos, eu ainda tenho medo de me entregar. Não só à você ou à nós, mas tudo me parece uma ameaça constante. E eu acho que estou quebrada demais para me arriscar.

Aos poucos, você conseguiu tirar a pedra que tinha no lugar do meu coração e me transformar em alguém completamente diferente. Mas não foi uma mudança daquelas pesadas e rudes. Foi leve. Foi simples. E se hoje eu sou quem eu sou, muito mais calma e verdadeira comigo mesma, eu devo isso àquele "oi" que você me deu sem pretensão alguma. E agora, estamos crescendo. Se em algum momento o fim lhe pareceu uma opção, sinto em te dizer que eu ainda vou te chutar muito enquanto eu durmo. Sem citar todas as tardes que passamos deitados sem precisar falar uma palavra, pois, só a sua presença já quebrava todos os muros que existiam dentro de mim. Foi uma revolução.

Em algum momento, eu esqueci que eu posso voltar a ser uma adolescente apaixonada sempre que eu quiser. Fui consumida pela vontade de crescer e deixei pra trás toda a doçura e inocência que é amar, e simplesmente amar, sem barreiras. E até onde eu me lembro, desde o inicio, nossa única preocupação era essa. Amar, incondicionalmente, onde quer que estejamos. Preciso te agradecer por todo esforço, por todas mãos dadas, por todo carinho de dedo. Você só não é o amor da minha vida porque você me ensinou que só eu posso ser o amor da minha vida. E eu só não te amo mais porque esse cargo tá ocupado e tem meu nome nele. Obrigada por ter me dado asas e nunca ter cortado-as, mas sim, me ensinado a voar.

Leia ouvindo: Call it waht you want - Taylor Swift

Amor

Ele é de peixes

13:14



É difícil descrever em linhas simples e retas toda a profundidade de um pisciano. É complexo ter que viajar sangue à fora para entender o que se passa dentro de um coração desses. Como colocar em sílabas e assentos a sensação de tocar seus dedos, de ver seus olhos se cruzando com os meus, de sentir o cheiro do seu perfume quando eu beijo seu pescoço? Algumas coisas parecem impossíveis. Mas ele me ensinou que isso é mentira.


Comparamos um pisciano a uma lerdeza leve, viajada e até um pouco romantizada. Isso até tem uma explicação. Acontece que ele vê beleza em tudo, vê sentido em tudo e sempre procura a raiz de seus questionamentos. Gosta de observar as montanhas durante a viagem, arquear as sobrancelhas como se perguntasse algo internamente, de se fazer perguntas idiotas. Anote: Se um dia ele expressou alguma dúvida que, de primeiro momento, lhe pareceu sem sentido, você deveria guardar esse instante pois, agora, você não é mais qualquer um.

Eu gosto de piscianos pelo simples fato de que eles são verdadeiros. Nunca vi sorriso mais sincero, nunca vi lágrimas tão tocáveis, nunca vi um beijo mais apaixonado. O mundo que eles criam dentro de si é incrível, você tem que conhecer. Os Jardins Suspensos da Babilônia têm inveja. Deus não teria sido capaz de inventar paz maior. E, por mais que essa calmaria extrema possa irritar de vez em quando -se não te irrita ainda, vai irritar-, você sempre vai agradecer por ele estar por perto para te enfiar dentro do seu colo quente, aconchegante e macio.

E esse mundo que eles criaram? Puts... É cheio mãos dadas, de sorriso entre os beijos, de abraços apertados. Mas também é cheio de sussurros no ouvido, de arranhões nas costas, mãos no cabelo. Não importa seu signo, seu ascendente, seu Vênus, o que for. Você, com certeza, quer fazer parte do mundo de um pisciano. Entrar nesse mundo não é só uma aventura. É uma viagem intergalática, interespacial, que desafia as leis da física e que você vai precisar de uma toalha para continuar viajando -fiz essa referência graças à um dos primeiros filmes que não vimos juntos. 

E sem querer generalizar - porém, já fazendo isso - olhos bonitos são uma característica comum. Dizem que é o reflexo da alma, né? É o que dizem. Não que a alma seja lá as das mais belas, mas sim, que as portas estão sempre abertas. Não vou mentir dizendo que lidar com gente de peixes é fácil, que vocês vão dar mega bem, porque não. Não é isso, e está longe disso. Mas o que eu estou querendo dizer (ou escrever) é que eles são realmente especiais, que eles merecem um pouco mais dos seus ouvidos e que eles podem fazer muito bem pro seu coração de água.

Ele se preocupa tanto com você que, uma hora, pode sufocar. No final, é sempre você quem vai decidir onde vão comer porque ele é meio incapaz de tomar uma decisão sozinho. E tudo bem em seguir suas vontades, ele parece não ligar. Te ver feliz faz ele feliz e ele sempre vai procurar saber qual sua flor favorita, qual seu prato favorito, desde que isso resulte num simples sorriso que ocupe toda a dimensão do seu rosto - e que ele seja o motivo.

Entender corações em geral sempre é uma tarefa difícil, mas nem sempre você precisa fazer isso. E é bom entender a si próprio antes de entrar numa confusão nova. A verdade é que piscianos gostam de se entregar, gostam de arriscar, gostam de apostar tudo o que tem e por muita fé naquela mísera chance de ver algo dando certo. Enquanto eu, essa canceriana dramática e rabugenta, tenho a mania de desistir no primeiro passo. E por questão de sorte ou não, eu não estou mais tão sozinha.

Leia ouvindo: Home - Gabrielle Aplin

Amor

Esse amor

14:04



A gente arde. A gente arde de dentro pra fora, a gente arde junto, a gente quando não estamos juntos. Mas a gente arde. A gente escreve um poema constante no corpo um do outro, que se resulta em bochechas rosadas, olhos fechados, suor entre os dedos. O fogo contínuo que queima nossos coração num amor inacabável que alimenta minhas células, move meus membros, dá nó nas minhas entranhas. Esse amo que ainda me parece um sonho tão doce e incalculável, que insiste em me visitar nas madrugadas de cansaço em que você não está.

Mas não. Eu e meu coração gostamos de acreditar que esse incêndio proposital que criamos é a realidade mais linda que eu já escrevi. Entretanto, acontece um jogo constante dentro de mim entre o quente e o frio, o fogo e o gelo, e eu não sei quem vai ganhar. Mas independente disso, eu amo. Eu amo em todas as línguas, em todas as pessoas.

Eu. Tu. Nós. 

E esse amor que me transformou na felicidade no seu mais puro conceito e queimou todos os meus medos e inseguranças até eles se formarem no mais cinza pó. É intenso, é selvagem, é loucura É tão verdadeiro que às vezes eu me pergunto se nós dois não saímos de um livro de contos de fada, onde o "felizes para sempre" não existe, mas que também não exista um certo final.

Mas se quer saber, eu sei que o amor é a essência do futuro e é uma linha contínua em que, o que vai sempre volta. Sem se preocupar com as consequências, o resultado, o fim tomado. O bom e o gostoso é dar a mão à alguém e fechar os olhos e se surpreender com o destino que ela irá te levar.

Agora a reciprocidade, que é a matéria prima mais pura que escorrega na minha corrente sanguínea, virou tese para minha arte que, agora, tem nome, sobrenome, e mora um pouquinho longe. É a droga mais cara e mais eficaz. Eu poderia ficar por horas criando universos paralelos para nós dois, passeando na psicodelia dos azuis dos teus olhos e viajando nos fios da sua juba loira. É um prazer que não se compara a um orgasmo, a um espirro, a um gol num jogo de futebol. É a gratidão mais inteira do mundo.

Somos só eu e ele. Ardendo no fogo do inferno enquanto nós nos amamos e fundimos da maneira mais linda que existe.

Leia ouvindo: Beagá - Maglore